domingo, 10 de fevereiro de 2019

A leveza de ser e estar

          Depois de um tempo de coração partido, a gente percebe que tá tudo bem. Entende que tem muita coisa que acontece e simplesmente acontece. Não dá pra controlar tudo e só de tentar me vi louco, por vezes. Ao começar a me libertar disso, começo a sentir a leveza de simplesmente ser. Isso é algo que eu dou muito valor porque a delicadeza envolvida é grande e conforta. É sobre se perdoar e se preparar para cuidar de si. Eu sou tudo o que eu preciso e com isso posso ganhar o mundo. Quem vem comigo, vem porque quer e porque gosta. Não há obrigações por aqui.
          Tem hora que a bad pega de jeito e aí não tem vexame em balcão de bar que segure. Mas perceber quem te cuida é algo engrandecedor. Em meio a planos desfeitos e cafés que esfriaram, há sempre uma nova oportunidade de ser. Incentivar a criança que em algum momento foi silenciada por uma onda conservadora de descrença ou de maldade mesmo. Sê tudo aquilo que se quis em tempos não tão antigos.
          Nossa passagem aqui é tão complicada assim porque temos uma enorme dificuldade em entender que ela não é mais do que isso: passagem. Que o ser é muito diferente de estar e que o maior vínculo é o que a gente cria com a gente mesmo através das trocas com as pessoas que nos passam. Muitas delas nos deixam tesouros preciosos como uma pochete com bilhetes carinhosos, a maquiagem fluorescente no cruzeiro ou mesmo os cafés na beira da estrada. Essas, a gente carrega consigo na nossa jornada individual, tal qual elas também o fazem. Esse é o grande barato da vida. Perceber e sentir-se acerca de si, sem projeções ou dependência de fazê-lo por causa de qualquer outra pessoa.
          Eu não sei amanhã, mas hoje tá tudo bem. Viagem.

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