terça-feira, 18 de junho de 2019

Filmes │ Mistério no Mediterrâneo (2019)

          Em "Mistério no Mediterrâneo", Adam Sandler e Jennifer Aniston são o casal Nick e Audrey Spitz e estão indo comemorar os 15 anos de casados numa viagem para a Europa. Durante o vôo conhecem Charles Cavendish, um visconde milionário que os convida para ir à Mônaco no iate de seu tio. Durante a viagem, um crime acontece e todos a bordo são suspeitos, incluindo os americanos.
          Os personagens são bastante caricatos e a marcação das cores dos figurinos é bem característica. É quase como assistir um live action do clássico jogo Detetive. Pelo tom de humor no enredo, normalmente abordado de forma bem mais séria no meio cinematográfico, pode-se dizer que é uma versão cômica de Agatha Christie. A química de Jennifer Aniston e Adam Sandler convence bastante em cena e é bem divertido vê-los como dois pobretões em meio à um mistério luxuoso.
          A marcação das características dos personagens me interessou bastante. O conde e a atriz de Hollywood com todos os clichês muito bem desenhados e interpretados foram os meus favoritos.
Quem matou o bilionário Quince? O filho? O marajá? A amante? O visconde? A atriz? O chef? O piloto?
          As locações são muito marcadas também, assim como os personagens. A contextualização é ótima pro mistério que a história promete. A trilha quebra o visual, lembrando ao telespectador que, apesar do enredo, estamos assistindo uma comédia inteligente.
          Sandler, no papel do detetive fajuto, está no ponto. Normalmente, os filmes dele me cansam muito rápido por serem sempre uma repetição da mesma fórmula. Quase não assisti esse filme por isso. Dei uma chance pela Jennifer Aniston. Não me arrependi. Em geral não gosto de filmes de comédia exatamente pela repetição da mesma fórmula over and over again. "Mistério no Mediterrâneo" é bem em cima do ponto de uma comédia mediana que instiga o seu lado criativo. Afinal, quem não gosta de um bom filme de charada com um assassino?
          Jennifer está ótima! É como se víssemos Rachel no futuro, num outro contexto. Me agrada ver que, apesar de ter filmes tenebrosos em sua filmografia (como Quero Matar Meu Chefe) posso contar com ela pra um fim de noite de domingo com o crush, pipoca e refrigerante. A parceria dos dois atores, que deu super certo em "Esposa de Mentirinha", em 2011, volta a funcionar perfeitamente.
          Se você está esperando um filme pra dar altas gargalhadas, é melhor procurar outro no catálogo, mas isso depende muito do seu tipo de humor. É um filme que não tem nada de excepcional, mas diverte e entretém bastante. Ele me agradou muito por não ter aquele humor bobalhão, muito comum em comédias americanas. E dá pra se identificar bastante com o casal.
          O filme é uma produção original da Netflix e acabou de ser lançado dia 14 de junho. Alías, eu AMEI a referência à Agatha Christie no final! Obrigado @netflix pelos mimos.
          Numa escala de 1 a 5 Glorinhas, a gente deu 3,5!

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Doze

          Hoje eu só queria te dizer feliz hoje. Por tudo o que já vivemos e fizemos em toda data doze. Não pela celebração obrigatória imposta pela data, mas pelo caminho trilhado até onde foi.
          Esse é um texto saudosista. Afinal, não é todo dia que você encontra um suricato pelo caminho. Quando o fiz, tudo mudou. Todo um universo galáctico de viagens e lugares sem fim. Quando penso em todas as aventuras e particularidades dessa história, fico com aquele sentimento de felicidade vazia. É um sentimento agridoce que, até hoje, não sei classificar como bom ou ruim. Não que seja necessário.
          Nossas naves ficaram em conserto por tanto tempo que depois de prontas a gente não voou mais por medo de estragá-las novamente. Nas charadas da Quimera Guardiã, ela disse que tem conserto, sim. Por entre um mundo cheio de figuras fantasiosas como elfos, sereias, suricatos e a própria quimera, invertido ou não, independente de qualquer coisa, criamos e desbravamos nosso próprio universo. E isso é um legado que nenhum outro personagem, real ou fictício, é capaz de tirar. Não importa quantos mundos queimem, as duas naves seguirão viajando até se encontrarem novamente. Éden, Musgo, Sanctum, Terra. Não importa.
          Feliz dia, afinal. As referências ajudam a pintar e entender melhor muitas situações. E, lá no fundo, eu sinto que se elas ainda existem e se constroem mesmo nos destroços, é porque um novo avatar deve ter surgido. E aí cê sabe o que acontece.
          Tudo o que eu sei é que no final da rotina maçante desse dia, dois gatos, um café e netflix tão lá me esperando no calor das minhas cobertas na meia luz verde. É véspera de feriado e eu só consigo pensar que eu mereço tirar uma folga dessa porcaria toda. É bem verdade que nessa montanha russa de sentimentos, essa folga vem planejada e replanejada algumas vezes. É péssimo quando você planeja uma conversa e ela não segue o script ou timing que você planejou. Isso já fez com que o dia do dia começasse diferente do planejado. Queria não ter expectativas, mas eu espero, cê espera. Nós esperamos. Será que no fim termino executando minha outra metade?
          Esse negócio de encarar seus demônios cabe bem no timing, mas o caminho é duro e ingrato. Reconhecer o que se é e encarar o impacto de cada uma das suas atitudes para com os outros e para com a sua própria vida e emergir. Se melhor ou pior, depende se no fim a metade acaba executada ou equilibrada.
          Dia do nosso dia. Dias de nossas vidas.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Depois │ Mão única em Xenorf

          Eu acho bom você ter se encontrado, mesmo que tenha me custado. O preço alto que você pagou te trouxe muito e me deixou sem nada. Diferente de outrora, minha essência foi tirada e eu só queria que você a tivesse deixado comigo. Na minha inversão não há absolutamente nada nem ninguém. Acostumado a lidar com outras camadas alternativas, nem assim poderia prever o que me aguardava no interior. Dia após dia, sigo.
          Eu virei do avesso na sua frente e me vomitei inteiro e cê não se deu nem ao trabalho de me responder com mais de uma ou duas frases. Acho que tudo isso quer dizer uma porção de coisas ao mesmo tempo. Diz e não diz, usual.
          Disse.
          Atravessamo-nos.
          Daqui, sigo nesse azul marinho sinistro que quase conforta. A cada rua virada é como se me desse conta cada vez mais de que esse é, de fato, o meu lugar. Por merecimento, por externação. Por sucumbir aos demônios que emergiram, enfim. Deve haver algo de poético nessa caminhada simultânea por caminhos semelhantes mas tão diferentes. É que já não me resta nada quente nessa situação sem essência, a qual carinhosamente vou chamar de Xenorf. Até mesmo pra vencer os demônios é preciso nomeá-los e enfrentá-los de frente. Eu não sei se cê tá enfrentando os seus, mas eu espero que sim porque, caso contrário, seria apenas um grande desperdício queimar tudo por nada. Resolução de um só não é resolução, é tapeação.
          No final das contas acho que o que eu menos esperava era ter o que eu mais queria. E aí, quando tive, surpreendente foi. Existe uma linha muito tênue mesmo entre o que a gente mais quer e o que a gente quer de verdade. Essas coisas se confundem em tantos pontos que é preciso muita honestidade para saber-se separar. O problema está em, uma vez separado e identificado, teria sido melhor ter deixado como estava? A honestidade, com si mesmo e com o outro, traz e esclarece o almejado, o que não quer dizer que resolve. E se o estrago ficar ainda maior e, pior, sem reparo depois de tanta curva em linha reta? Não tem desvio e provavelmente nem retorno. Nessa via de mão única é onde se atropelam as vias do normal e do invertido. Daí não tem camada alternativa, chuva ácida ou gastrite que resolvam.

sábado, 18 de maio de 2019

Jogos │ Game of Thrones: Winter is Coming

          Com todo o hype da temporada final, toda a internet está obcecada pelos últimos momentos de Game of Thrones. Há não tanto tempo, começaram a ser bem comuns propagandas sobre o lançamento de um jogo oficial licenciado da franquia para o facebook. Apesar do desgosto com muitos dos acontecimentos da série, o jogo não me decepcionou em nada.
          Nos moldes de um rpg tradicional básico, você batalha para construir e ampliar seu castelo e seu reino. Melisandre é sua guia e, preciso dizer, as versões digitais dos personagens estão impecáveis! Além de idênticos aos personagens da série, eles falam várias frases clássicas com as vozes dos próprios atores. Pra mim, fã da saga e fã de RPG's, é legal demais ver o CGI da Arya Stark falando ''Valar Morghulis". É bem verdade que o jogo pode não agradar aos fãs mais hardcores (tanto de RPG's quanto da série em si), afinal a jogabilidade é boa mas não é tão complexa e o jogo não segue o roteiro da disputa pelo trono de ferro. Cabe entender que é um jogo baseado no vasto universo da saga. Dito isso, é um ótimo entretenimento.

          O jogo tem diferentes objetivos, de acordo com quem joga. Tem as quests principais e tem as quests secundárias. Você faz extensas pesquisas na Maester's Tower para aumentar a força do seu exército, para conquistar mais recompensas, aumentar as defesas, fortalecer seu exército, reorganizar suas tropas, enfim, as pesquisas tem uma infinidade de objetivos diferentes e você deve ser sábio para pesquisar as coisas certas de acordo com o caminhar do seu jogo.
          Você deve se juntar a uma aliança. Recomendo que mude seu reino para o lugar onde a maioria das pessoas da sua aliança residem. Basta mandar uma mensagem para o líder e ele lhe responderá com as coordenadas. Após se juntar a aliança, você pode atacar membros de outras alianças e com isso tomar seus recursos, como ouro, ferro, madeira e até mesmo aprisionar o lorde do castelo e só liberá-lo após o pagamento de uma recompensa (ou depois de quase 24 horas). Mas, cuidado! Você também pode ser atacado por outros jogadores. Dentro do seu reino você encontrará o Sept of the Seven. Esse é o lugar onde você pode usar itens especiais para dobrar sua defesa, para enganar os inimigos que te espionarem fazendo seu exército parecer muito maior, ou para proteger seu reino de ataques durante um tempo determinado de horas, dentre vários outros recursos.
          Outra coisa importante a se fazer é mandar seus comandantes recolherem recursos fora do seu reino, em minas, fazendas desocupadas, pedreiras e etc. No caminho, você também encontrará líderes rebeldes de diversos níveis (que você pode ir atacando conforme for ficando mais forte)

          O jogo conta com diversas formas de ganhar bonus, itens de aceleração de tempo e quests especiais com recompensas que podem até mesmo ser um novo comandante. A Arya, por exemplo, ficou disponível para quem conseguisse cumprir um evento com vários objetivos que durou 7 dias.

          Ainda no seu reino, você pode sempre estar treinando novas tropas, treinando-as no campo de batalha (e recebendo diamantes de acordo com sua colocação no PvE), fazer excelentes negócios de troca com um navio mercador e forjar novas armaduras e acessórios para fortalecer seu lorde.
          Particularmente, estou muito ansioso para desbloquear Daenerys Targaryen. Além de curtir muito a personagem, uma de suas habilidades é invocar dragões no ataque às tropas inimigas. Obviamente personagens tão grandes e importantes como ela e Cersei devem ficar disponíveis em eventos ou serem liberadas em pacotes especiais, certamente com algum custo. Um ponto interessante também é uma das habilidades de Cersei: Explosão de Fogovivo.

          O jogo é gratuito. Existem recursos pagos que facilitam muito a vida do jogador, porém são absolutamente dispensáveis. É muito tranquilo de jogar sem gastar absolutamente nenhum centavo.
          Minha única decepção: o jogo disponibiliza diversos personagens como comandantes, como Sandor Clegane, Theon Greyjoy, Margaery Tyrell e até mesmo secundários não tão populares, mas não tem a incrível Brienne of Tarth! Dada a importância da personagem, não sei como isso é possível! É possível uma disponibilização futura, afinal essa semana mesmo o jogo liberou 4 novos comandantes numa atualização. Há também uma ilustração perfeita do Rei da Noite numa das telas de carregamento do jogo, mas até o momento não há indicações dele. Certamente muito ainda será trabalhado em cima do desenvolvimento e crescimento do jogo.
          No início desse post, deixei um print do meu status atual. Será divertido ver isso daqui certo tempo.

sábado, 20 de abril de 2019

Séries │ Boneca Russa

          Assistir séries novas é sempre mais uma vontade do que uma realidade na minha vida. Normalmente é preciso uma força maior (geralmente um feriado prolongado ou um fim de semana de folga). Fato é: esse fenômeno nada natural aconteceu e com isso pude assistir Boneca Russa! Já haviam me indicado a série, mas eu, quando peço indicação, peço em geral só o nome pra evitar qualquer tipo de spoiler. Quanto mínimo de informações eu tiver sobre a obra, melhor. Sempre fico muito satisfeito quando consigo pegar algo do total zero e ir me surpreendendo com os desfechos. Com essa série não foi diferente.
          A série é uma produção original da Netflix e foi criada pela Natasha Lyonne, que interpreta a personagem principal, juntamente com Amy Poehler e Leslye Headland. Ela conta a história de Nadia, uma jovem adulta de personalidade forte que se vê presa num looping onde morre e revive a mesma noite. Ela questiona sua própria sanidade e tenta trilhar caminhos diferentes.
          A comédia dramática é gostosa demais de assistir e é cativante desde o começo. Eu simplesmente não consegui parar e assisti a temporada toda num dia só. São o total de 8 episódios com cerca de 25 minutos de duração cada, bem tranquilo.

          Eu não conhecia o trabalho da Natasha ainda, mas depois de me apaixonar pela Nadia, pesquisei mais sobre ela. Ela tem uma filmografia bastante extensa repleta de filmes de todos os gêneros e séries.
          Nadia tem uns traços muito marcantes em sua personalidade. Ela usa de um sarcasmo com o qual me identifico bastante, mas não é só isso que me chama atenção nela. Ela está sempre a frente das suas coisas, tem um jeitão meio arrogante e egoísta e por vezes sofre com isso. Agora, uma coisa é fato: ela é uma boa amiga. Entre choros e brigas, bem da realidade complexa humana mesmo, as relações dela são as melhores. Nadia tem duas grandes amigas igualmente cativantes: Maxine e Lizzy.
          A série tem personagens muito interessantes de se assistir e dá pra se identificar bastante com as reflexões e as crises. Eu tenho uma grande dificuldade com comédias, mas talvez o fato de não ser uma série onde esse seja o foco tenha ajudado. Eu fiquei muito tocado com muitas cenas e quando terminei a série, levei um tempo pra terminar de absorver tudo o que eu havia sentido e de como havia me apegado aos personagens. Chorei no último episódio (o que não é lá tão difícil assim de acontecer, devo admitir).

          Boneca Russa foi produzida durante 2018 e teve sua estréia na plataforma digital em fevereiro de 2019. Gosto muito da ideia do nome também. A matrioska é um elemento fortíssimo da cultura russa e o conceito de uma boneca sair de dentro da outra tem tudo a ver com o desenrolar da série. A vida longa, Nadia de novo e de novo seguindo seus rumos. A mensagem que fica é muito importante. É, definitivamente, uma série que eu acho que todo mundo deveria assistir.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

A leveza de ser e estar

          Depois de um tempo de coração partido, a gente percebe que tá tudo bem. Entende que tem muita coisa que acontece e simplesmente acontece. Não dá pra controlar tudo e só de tentar me vi louco, por vezes. Ao começar a me libertar disso, começo a sentir a leveza de simplesmente ser. Isso é algo que eu dou muito valor porque a delicadeza envolvida é grande e conforta. É sobre se perdoar e se preparar para cuidar de si. Eu sou tudo o que eu preciso e com isso posso ganhar o mundo. Quem vem comigo, vem porque quer e porque gosta. Não há obrigações por aqui.
          Tem hora que a bad pega de jeito e aí não tem vexame em balcão de bar que segure. Mas perceber quem te cuida é algo engrandecedor. Em meio a planos desfeitos e cafés que esfriaram, há sempre uma nova oportunidade de ser. Incentivar a criança que em algum momento foi silenciada por uma onda conservadora de descrença ou de maldade mesmo. Sê tudo aquilo que se quis em tempos não tão antigos.
          Nossa passagem aqui é tão complicada assim porque temos uma enorme dificuldade em entender que ela não é mais do que isso: passagem. Que o ser é muito diferente de estar e que o maior vínculo é o que a gente cria com a gente mesmo através das trocas com as pessoas que nos passam. Muitas delas nos deixam tesouros preciosos como uma pochete com bilhetes carinhosos, a maquiagem fluorescente no cruzeiro ou mesmo os cafés na beira da estrada. Essas, a gente carrega consigo na nossa jornada individual, tal qual elas também o fazem. Esse é o grande barato da vida. Perceber e sentir-se acerca de si, sem projeções ou dependência de fazê-lo por causa de qualquer outra pessoa.
          Eu não sei amanhã, mas hoje tá tudo bem. Viagem.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Redemoinho

          Esse glitter, as máscaras e as cervejas são disfarce puro do meu caos. É que toda vez que eu vejo as pessoas fazendo o que faríamos e fazíamos eu grito de dor. São os nossos planos, a nossa vida. O disfarce é vital pra minha sobrevivência nessa miséria que me restou. Quem vê nem nota, mas é por causa do meu lado artista de pintar e enfeitar. Do pouco que me resta, ainda sei decorar bem uma bela tragédia.
          É difícil pra caralho toda vez que eu te vejo ou sei de você. Ouvir a sua voz me bambeia e a máscara sempre dá uma escorregada em todas essas vezes. Cê facilita bastante o processo pra mim porque se trancou de tudo, mas é uma necessidade tóxica minha de me machucar assim. Eu tenho esse processo autodestrutivo de perceber o que é pior pra mim, ir lá e fazer. Já fiz pior, é bem verdade. Esse processo, hoje, é só interno. Pelo menos não respingo em ninguém mais. Das minhas necessidades urgentes, consegui parar de arrastar as outras pessoas pro meu redemoinho de destruição.
          Voando no centro de todo o caos, não tem ninguém pra me salvar. Então eu chego a exaustão e caio inerte até me recuperar ou explodo de vez.