sábado, 16 de maio de 2020

Pra ficar de olho: Alice Chater

WONDERLAND (MY NAME IS ALICE)
"Hi, my name is Alice!"

          A música funciona como single de apresentação da nova sensação britânica e é um grande trocadilho com Alice in Wonderland, que a gente tanto ama. A letra é repleta de referências à obra e o vídeo é uma delícia visual com Alice presa numa grande teia de aranha enquanto os predadores estão ao seu redor. A música tem uma introdução bastante dramática, algo que Alice já disse adorar fazer.
          A cantora cresceu apaixonada por ópera e músicas líricas, daí vem o seu grande desenvolvimento vocal nesse estilo. Quando pequena, gostava de imitar os cantores de ópera que sua mãe ouvia: "Logo isso se tornou um truque de festa regular e minha família rapidamente percebeu que eu tinha uma voz muito poderosa", revela. Ela é uma artista multifacetada. Sempre se dedicou a estudar todas as artes cênicas. Aprendeu balé, jazz, sapateado, hip hop, flamenco, aros e acrobacias aéreas, bem como canto. Além de co-produzir suas canções, ela ainda as compõe. Natural de Kent, Reino Unido, ela assinou um contrato de gravação com a Virgin EMI Records, depois de receber propostas de cinco gravadoras. Tudo começou quando foi descoberta pelo produtor e cantor Will.I.Am, que atuou como uma espécie de mentor para ela. Ela gravou algumas músicas no estúdio dele, conheceu vários produtores e hoje tem um contrato firme com o primeiro álbum no forno.
          Além de Will, Alice conta com o apoio de veículos importantes como a BBC Radio 1, que fez do seu single Heartbreak Hotel, em 2018, a faixa de apresentação da semana e deu um grande destaque para Girls X Boys em sua estréia como Melhor Novo Pop.

HOURGLASS

          Meu fascínio por Alice se deu com o clipe do single "Hourglass". Durante uma tarde qualquer, ouvindo uma playlist no youtube, a música começou a rolar de fundo. Sempre que acabava, eu voltava pra deixar tocando enquanto fazia minhas coisas porque tinha curtido a sonoridade. Até uma hora em que pensei ''Caramba, essa música é boa mesmo. Deixa parar aqui e assistir esse clipe.''.
O clipe, feito em plano-sequência, segue impecável em um só take enquanto temos Alice andando por um galpão enquanto dança e interage com os objetos ao redor. Uma curiosidade muito interessante sobre esse plano é que em alguns momentos o video se passa em câmera lenta e, depois de voltar ao ritmo normal, continua perfeitamente sincronizado com a música enquanto ela canta. O grito de Alice, enquanto quebra um globo e gira pendurada num bambolê é o ponto alto.
          Uma curiosidade sobre Hourglass é que tem sample da música "Don't You Want Me", do The Human League.

HEARTBREAK HOTEL


          O hotel dos corações partidos de Alice tem muitos cenários, coreografias e looks. Na produção assinada por Chris Turmer (mesmo diretor de Hourglass), a artista reúne o melhor da música pop, combinado com um sample da antiga "Ring My Bell", de Anita Ward. Também com uma introdução dramática, além de um break especialmente pro vídeo, o clipe mostra um pouco mais do que o universo artístico de Alice pode nos proporcionar. Além de começar a estabelecer referências e elementos em comum com os outros vídeos, partes do conceito de criação da imagem dela.


          O primeiro vídeo oficialmente lançado por Alice, Girls X Boys é o mais sensual deles. O vídeo tem enfoque na dança de maneira crua e sensual, pura sedução e libertação. A estética e o jogo de luzes são muito bons e nos rementem ao pop da época de ouro onde tínhamos Britney e Christina no ápice da sensualidade.
          O legal é que cada um dos vídeos de Alice trazem uma característica diferente dela. Thief conta com os giros, saltos e piruetas que ela sempre coloca nas coreografias das músicas. Tonight traz a temática de bruxas, com alguns dos elementos utilizados em outros vídeos e traz cenas muito bem dirigidas, como o vestido composto pelas dançarinas.
          Em 2019, ela engatou uma parceria com Iggy Azalea, de quem acabou ficando amiga. A parceria ajudou muito na projeção internacional de Alice e segue fazendo com que cada vez mais pessoas descubram sua música e passem a acompanhá-la.
          Lola tem uma identidade visual incrível. Alta produção dirigida por Thom Kerr, o vídeo mostra duas internas de um hospício e seus delírios de forma bastante colorida e criativa. O vídeo traz muitos figurinos e muita produção em cada cenário. Alice pôde mostrar muito dos seus vocais e o single ganhou até performance no International Music Awards, na Alemanha (a primeira apresentação de Alice em um Award).
          O álbum, inicialmente previsto para esse ano, pode sofrer algum atraso devido a pandemia, mas Alice tem material pronto e um novo clipe, gravado pouco antes da quarentena. já está finalizado.
LOLA
         

          Pra fechar, Chater respondeu uma pergunta sobre seu processo criativo pros clipes e música.



Baú: Você mesma já disse algumas vezes que é a rainha das introduções dramáticas. O que te inspira criativamente pra criar as introduções e os conceitos visuais dos seus clipes?

Alice: A sensação da música. Começa sempre com a forma como a música me faz sentir... então minha imaginação simplesmente corre solta. Sonhos também... Às vezes eu sonho coisas realmente estranhas.



terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Luisa Sonza é melhor do que você pode imaginar

          Já faz algum tempo que eu converso com alguns amigos sobre a Luisa Sonza. Ela, atualmente, é uma das artistas mais populares na internet, com um vasto número de seguidores. No twitter ela já passa de 900 mil. No instagram são mais de 15 milhões!
          Sonza cresceu na internet através de covers no youtube e em 2017 lançou seu primeiro EP digital pela Universal Music. Assim como os meus amigos, eu já tinha ouvido falar dela aqui e ali mas ela só foi me bater mesmo muito tempo depois, daí comecei a voltar e pesquisar e descobrir várias coisas.
          As músicas "Devagarinho" e "Boa Menina" tem certificado de diamante e de ouro, respectivamente. Os videoclipes também bombam no youtube! ''Devagarinho'' conta com 73 milhões de visualizações, ''Boa Menina'' já tem quase 80 milhões, e foi com essa música onde eu comecei a acompanhar mais de perto o trabalho da artista.
          Luisa ganhou o premio de Revelação Musical pelo "Premio Contigo! Online 2019", que é aberto a votação popular, além de já ter ganho vários outros prêmios, como "Melhor Cover da Web", pelo Premio Multishow 2017, "Revelação do ano" no Women's Music Event Awards 2018 e por aí vai.
          No ano passado, seu álbum de estréia, "Pandora", teve parceria com a drag Pabllo Vittar em "Garupa", que foi um estouro de streams. Luisa disse que gravaria clipe para todas as músicas e, atualmente, quase todas já tem vídeo mesmo. "Pandora" marca a transição para uma sonoridade mais madura e ao mesmo tempo experimental. O conceito do álbum é mostrar as várias facetas dela como artista e a capa representa isso de maneira impecável. Ao mesmo tempo em que temos os batidões de "Pior Que Possa Imaginar" e "Fazendo Assim", com participação de Gaab, temos "Apenas Eu", com bastante influência gospel, contrastando com o experimento em "Saudade da Gente" e a romântica "Bomba Relógio",  que conta com a participação de Vitão e parece ser a favorita dos fãs. Nenhuma das 8 faixas deixa a desejar e a versão física ainda ganhou como faixas bônus os sucessos já citados aqui e que projetaram ela pro Brasil: Devagarinho e Boa Menina.

          O grande lance da Luisa é que ela é firme demais! E essa é uma das coisas que eu acho mais interessantes nela. Isso me abriu portas a conhecer, de fato, o seu trabalho. Numa ocasião ela desceu de um avião ao saber que compartilharia o voo com o, até então, candidato a presidência. Noutra, pulou fora das gravações do dvd de um cantor tão logo ele deu uma declaração transfóbica, mesmo sabendo da visibilidade que isso traria pra ela. O que eu quero dizer com isso é: ela se sustenta. E se sustenta muito! Fiel aos seus ideais, Luisa não se esconde de firmar suas opiniões e de dizer em alto e bom tom: ''eu sou assim e se você não gosta o problema é seu".
          Existe uma grande preocupação por parte dela em ser leal ao que acredita e conseguir passar isso de maneira certa ao seu público. Ela analisa bastante as parcerias que faz e é muito verdadeira com relação ao que sente e o que pensa sobre os assuntos. Não foge da raia na hora de se posicionar e incentiva, sempre, a força e o direito da mulher fazer o que quiser fazer.
          Nas letras, com frases como ''um homem que é homem de verdade cria o filho mostrando pra ele o que a vida tem pra dar'' e ''não deixem te dizer o que deve fazer, (...) não me interessa o que pensam de mim'' ela mostra que não tá nem aí mesmo. Como mulher, julgada por ser sensual ou por mostrar o corpo, mostra que está bem consigo mesma e que se alguém vem pra ofender, o problema está com a pessoa e não com ela. E como um bom funk pop que a gente gosta, dá-lhe dança e batidão.
          Luisa usa da visibilidade que tem pra levantar discussões atuais, bandeiras empoderadas e feministas e pra ajudar a dar atenção às causas importantes e sociais. Ela é confiante, decidida e tá pior do que cê possa imaginar!
          Depois do lançamento de Pandora, ela segue firme nos projetos. Fez participação internacional na música "The Weekend" da boyband canadense PRETTYMUCH, a qual tive a grande oportunidade de fazer a cobertura do lançamento pro site Hashtag Pop no mês de novembro passado, na Casa do Popline. Fez parceria também com o PK na baladinha "Tudo de Bom" e teve o hit "Combatchy", parceria explosiva com Anitta, Lexa e Mc Rebecca. Os planos pra 2020 reservam ainda mais surpresas.

          Recém capa da Forbes, como destaque na lista de milionários com menos de 30 anos, ela constantemente recebe uma chuva de críticas na internet. As críticas vem porque muita gente costuma demonizar o sensual, a ousadia, o exagero e até mesmo as falas políticas. Viemos de uma geração que ainda está muito presa aos chamados ''valores tradicionais'' ou ''bom comportamento'' e que cresceu reprimida e julgadora, sem nem mesmo ter o viés pra isso. Quem é que decide como é que o outro deve ou não viver e se expressar, afinal? O que é considerado ofensivo e o quem define isso? O quanto de direito temos de apontar para o outro e dizer coisas cruéis sem termos a responsabilidade emocional acerca das consequências disso? Esse é o tipo de coisa em que eu me pego pensando quando vejo alguém criticar artistas como a Luisa e a Anitta, mas que dá todo o suporte para as gringas tipo a Shakira, Rihanna ou Britney.
          A diferença está nas culturas ou na síndrome de vira lata, que parece nunca nos deixar?
          Após o lançamento da Forbes, Luisa postou um texto falando sobre tudo isso:

''Já fui chamada de tudo um pouco desde que apareci nessa internet. Interesseira, puta, burra, encostada, vagabunda, entre outros milhares de adjetivos que leio desde que eu tinha 17 anos.''
''Hoje eu sou milionária e ganho tanto quanto o meu marido, tenho a carreira totalmente independente em outra área que não tem nada a ver com o trabalho do meu marido, mas até hoje se eu ler qualquer comentário em algum site de fofoca sobre mim lá vai estar ''arrancando todo o dinheiro do Whindersson'', ''Whindersson comprou a carreira dela'', ''Whindersson que paga as coisas'' e assim por diante, mesmo eu e ele dividindo até a conta de luz. A real é que é difícil aceitarem uma mulher de sucesso. Mas vocês vão ter que engolir.''

          Em tempos difíceis como os de hoje é preciso falar. É preciso ter sua voz ouvida e é preciso fazer isso de todas as formas possíveis. Seja através da arte, de um projeto ou de atitudes no dia a dia mesmo. É muito bacana ver artistas importantes dessa nova geração mostrando isso pra galera mais nova. Luisa faz parte do time de artistas que falam (e muito!) sobre igualdade, liberdade, diversidade. O pop no Brasil nunca esteve tão bom como atualmente. Artistas como Iza, Gloria Groove, Pabllo Vittar, Anitta, Lexa e a própria Luisa vêm redesenhando esse cenário e conquistando um espaço cada vez maior pra eles e pro seu público, além de incentivar toda uma leva de outros artistas a fazerem o mesmo. Promover a discussão, inclusão e assuntos tão importantes junto com entretenimento é mais do que necessário e é animador saber que ela não vai mais parar!

         

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Meus 7 casais favoritos de todos os tempos

          Em tempo de listas e retrospectivas de fim de ano, eu fiquei inspirado e resolvi que era um ótimo tema listar os meus sete casais favoritos de todos os tempos, dentre as minhas séries favoritas. Eles não precisam necessariamente ser um casal modelo ou um casal certinho, mas casais que me tocaram e fizeram minha experiência com a respectiva série ser mais completa.
          É importante dizer que fiz um rascunho com 19 casais, mas escolhi os 7 que mais mexeram comigo pra falar um pouquinho sobre.

-> Atenção: se você é que nem eu e odeia spoilers, deixo aqui avisado que pode ser que você receba algum se ainda não assistiu ou não chegou até o ponto em que um dos casais a seguir formaram par. Então fica dado o aviso porque não quero estragar a experiência de ninguém.

As séries listadas são: The Good Place, Lost, Scorpion, The 100, Gossip Girl, The Walking Dead e Friends. <-

          A ordem é aleatória. Jamais conseguiria montar um ranking entre esses. Segue abaixo a lista com a minha opinião que absolutamente ninguém pediu:



Eleanor Shellstrop e Chidi Anagonye - THE GOOD PLACE
     The Good Place é uma série que traz mais do que um humor despretensioso e leve pra um fim de noite. É muito divertido acompanhar o grupo principal buscando ser melhor hoje do que ontem. Boa parte dessa diversão é acompanhar as reviravoltas do inesperado casal Eleanor e Chidi.
     A quarta e última temporada traz diálogos muito bons e nos faz torcer talvez até mais pra que eles consigam ficar juntos no final do que o pelo plot principal. Um casal imperfeito que encontra no outro o balanço necessário pra uma relação saudável.



Happy Quinn e Toby Curtis - SCORPION
     Scorpion nos apresenta um grupo de nerds esquisitões com baixas habilidades sociais, porém altíssimos QI's. Essa série me pegou já no primeiro episódio por tratar sobre o autismo de um criança cuja mãe acaba entrando no grupo como um elo de ligação entre os nerds e a sociedade. Outro casal improvável, desse grupo surge o casal Happy e Toby. Após uma série de investidas fofas da parte do psicólogo, a mecânica prodígio assume um relacionamento que passa a ser um dos pontos altos do show. Com manias de casal bastante... incomuns, assistir os dois enquanto investigam as mais diversas situações é entretenimento puro.



Blair Waldorf  e Chuck Bass - GOSSIP GIRL
     Provavelmente o casal que mais me fez chorar na adolescência, eles trouxeram não só o foco da série de volta para Blair, como deram rumo no show, que andava com o roteiro um tanto perdido e confuso. Gossip Girl é uma das minhas comfort series e eu gosto muito de rever porque cada vez vejo as situações de uma perspectiva diferente. O relacionamento da Blair e do Chuck tem um quê de abusivo e é um tanto problemático em diversos pontos. É bastante interessante ver como eles desenvolveram isso ao longo da série, se tornando os personagens que mais amadureceram desde a primeira temporada.



Sun-Hwa Kwon e Jin-Soo Kwon - LOST
     Outro casal que cresceu demais no decorrer da série e nos apresentou um desenvolvimento foda são os coreanos de Lost. Inicialmente, o casal não fazia parte do roteiro original. Os produtores gostaram tanto deles nas audições que resolveram criar papéis para que pudessem incluí-los no show.
     Jin é um homem pobre, filho de pescadores, que vive na Coréia do Sul. Ele é muito trabalhador, sempre grato às oportunidades que aparecem até que se apaixona perdidamente por Sun, a filha de um grande empresário. Quando caem na ilha, eles já estão casados e o que conhecemos é um marido extremamente conservador e uma esposa totalmente submissa. O desenvolvimento desses personagens é incrível e extremamente emocionante. Lost é uma série carregada de emoções e apresenta alguns outros casais muito bons, mas a história e trajetória desses dois é muito cativante.



Octavia Blake e Lincoln kom trikru - THE 100
     The 100 apresenta uma série de personagens complexos com excelente desenvolvimento. Agora, o que eles fazem com o telespectador quando crescem o envolvimento de Lincoln, um terrestre selvagem, com Octavia, a garota que viveu escondida da sociedade durante toda a vida, é incrível. A forma como os dois criam um arco só deles, a parte dos outros personagens, e tudo o que isso acrescenta na série é bom demais de se assistir. O destino de Octavia quando tudo muda é unica e exclusivamente por causa de tudo o que eles viveram até então. E isso enriquece tanto a história principal, que fica muito difícil de não dar spoiler, mesmo dando spoiler. Esse é um dos meus casais favoritos ever.



Glenn Rhee e Maggie Greene - THE WALKING DEAD
     Glenn e Maggie foi uma grande surpresa pra mim. Não pelo casal em si, já que era anunciado desde as primeiras cenas de interação entre os personagens, mas pela longevidade que isso deu a Maggie e com como ela cresceu, se destacou e mostrou a sua importância crucial na série. Eles talvez sejam o casal para o qual eu mais torci que tudo desse certo apesar de qualquer situação. Afinal de contas, eles estão lutando e sobrevivendo a um apocalipse zumbi. O cuidado, a sutileza e o carinho com o qual eles se tratam é de fazer o telespectador tomá-los como intocáveis. Como se quiséssemos guardá-los dentro de uma caixinha e protegê-los de todo o mal.



Monica Geller e Chandler Bing - FRIENDS
     Seria impossível fazer uma lista de melhores casais sem colocar o que talvez fosse o melhor casal de todos os tempos. Acompanhar o amor florescer dessa amizade engraçada, ver o carinho e o cuidado, as particularidades únicas de casal que eles compartilham e o companheirismo deles é muito relationship goals. Obviamente que vê-los tirando sarro um do outro, compreendendo as diferenças e aprendendo a conviver com elas é a melhor parte de tudo isso. Eles são aqueles personagens que são perfeitos um para o outro, dentro da esquisitice de cada um.




BÔNUS FINAIS



Lily van der Woodsen e Rufus Humphrey - GOSSIP GIRL
     Mentira, não são 7 casais! Oficialmente coloquei Blair e Chuck, mas Lily e Rufus são meu casal favorito de Gossip Girl. Tanto pela história deles de quando mais novos quanto pela nostalgia que fica no ar sempre que o caminho de um cruza o do outro. Além de todas as barreiras sociais, eles ainda tem que lidar com o fato dos filhos, Serena e Dan, serem apaixonados um pelo outro. Esse é o casal pelo qual mais torci na série. A história deles é, de longe, a mais cativante.



Clarke Griffin + Lexa kom trikru - THE 100
     Um bônus pro casal mais hypado da série The 100 porque era absolutamente impossível fazer uma lista com um casal de cada série sendo que essa série tem dois dos casais mais fodas que existem.
     A história da Clarke e da Lexa transcende a luta entre os povos, a guerra contra pessoas cruéis ou tecnologias de ponta. Não é novidade pra ninguém o quanto eu admiro os escritores dessa série e acho ela brilhante, mas um erro grotesco deles foi o destino que deram pra esse casal.
     O relacionamento da comandante dos terrestres e da comandante dos que vieram do céu causa um sentimento misto no telespectador. Ao mesmo tempo em que a gente torce e vibra pelos seus povos e sente com cada decisão tomada por uma delas, a gente deseja que elas possam viver e não apenas sobreviver. Isso é o que elas mais desejam. O casal mais injustiçado das séries encerra essa lista com a mensagem de que o mundo pode estar acabando, mas é preciso lutar por aqueles que se ama até o fim.






(Charlie + Claire, Sayid + Shannon, Sawyer + Juliet, Poussey + Soso, Murphy + Emori, Monty + Harper, Xena + Gabrielle, John Snow + Ygritte, Tyrion + Shae, Michael + Sara)

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Eu vou deixar pra outro dia

          Eu acho engraçado como é desproporcional o quanto te escrevo agora. Me lembro de quando eu queria escrever e escrever e nada vinha. Acho que, depois de tudo de bom que você me deu, quando já não dava pra dar mais nada, você me deu isso. Uma viajante de beira de estrada uma vez me disse que funcionamos melhor de coração partido. Os poetas fajutos viciados em café e sentimentos. Percebo que mesmo depois de tanto caminho percorrido, ainda sou demais. Sinto demais. Eu não sei o que fazer com meus excessos e por vezes acho que são o que fazem as pessoas ao redor pegarem fogo. No fim do dia eu fico aqui ouvindo essas músicas que só me prometem coisas que nunca vou ter. Mas será que a gente percebe quando tem?

          Ainda uso o óculos verde, mas por vezes consigo tirá-lo e voltar pro clássico azul. Às vezes dura muito, às vezes dura pouco. Mas já é um avanço. Tenho vontade de pegar as mesmas estradas algumas vezes. Rever velhos e bons amigos. Eu poderia realmente contar com a garota das tranças azuis. Uma tarde despretensiosa de besteiras ditas, uma caminhada ou, de repente, um filme pra gente falar mal depois. A verdade é que já não sei mais onde quero chegar. Me desprendi de mim e os fragmentos que restaram vez ou outra me fazem lembrar do que eu costumava gostar. E se a gente simplesmente muda? Mas, se muda, muda pra onde? Eu tenho a plena certeza de que não estou nem na origem e nem no destino.

          Os poemas e as músicas são tão cretinos que começo falando sobre você e divago sobre a minha existência e mudança. A galáctica de cabelo rosa tinha razão desde a primeira vez que me disse; não é você, sou eu. Muito além do clichê vazio que a gente costuma ouvir por aí em toda esquina nas realidades forçadamente cruzadas.

          Que os seus textos e músicas existem por sua causa, mas também por minha. Por causa de um espaço-tempo incrivelmente compartilhado de um momento enquanto eu ainda era um alguém que já não sou mais hoje. Que as coisas mudam, andam, voltam. Mas não os seus textos ou isso que você me deu. Tanto pro bom quanto pro ruim. Talvez o que eu tenha que fazer é aposentar os óculos verdes e juntar os fragmentos em algo novo. Mas isso eu vou deixar pra outro dia.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Óculos verde

          Desde que você se foi eu coloquei esse óculos verde que agora não tiro mais. Alguns cenários ficam deveras interessantes com esse novo filtro, mas em geral é tudo muito mais intimidador ou com uma atmosfera meio fora da realidade. Eu quero tirá-lo e por vezes me esforço muito pra isso, mas a verdade é que já não sei mais viver sem ele. O filtro normal me pesa e sufoca de maneira que só consigo respirar com o óculos verde.
          Os bosques e os caminhos próximos de casa ao anoitecer nessa brisa de verão são uma delícia de se contemplar. Ficam ainda mais verdes, mais frescos. A trilha certa acrescentada traz paz. Momentos raros mas aproveitados por mim ao máximo até que a noite caia enfim e eu siga meu rumo de volta na avenida principal.
          É como andar entre as pessoas sem realmente ser visto ou fazer parte. Quando fica verde demais, dificulta muito a visão. Aí é que o negócio pega porque tudo já se mostra como uma realidade diferente, com a confusão das cores fica impossível seguir, por oras. Eventualmente o filtro verde claro volta. Eventualmente fica tudo bem.
          O óculos verde é o que tem pra agora mas eu sei que mais cedo ou mais tarde eu vou tirar. Eu tenho que tirar.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Tudo o que eu queria era ter dito sim

          Tudo o que eu queria era ter dito sim. Era ter pego a sua mão de novo e retornado pra nossa espaçonave juntos. Cê tava certo, nós nunca deveríamos tê-la deixado. Encontramos e fomos tanta destruição em terra firme que o caos que espalhamos nos arrastou separados pra terras muito distantes. E se a jornada desenfreada que daí se seguiu era pra retornarmos pra casa, porque nós simplesmente nunca conseguíamos ajudar um ao outro e entrar na nave de volta? As missões simples se tornaram cada vez mais complicadas e parecia que estávamos presos em dungeons & dragons.
          Tudo o que eu queria era conseguir acreditar. Isso tá tão mais além de querer acreditar que só então eu percebo o abismo que existe entre querer e conseguir. E durou tanto tempo a jornada solo nesse mundo desconhecido de caos com nave quebrada que já me parece comum. E que o que parece estranho é tentar consertar a nave e escapar daqui. Será que o que merecemos é esse purgatório que vive puxando nossa nave de volta e de volta, não importa quantas vezes a gente tente sair ou quantas vezes a gente desative o campo magnético? E, se, nem a lei de espaço tempo funciona de verdade aqui, tola pretensão é a nossa de achar que poderíamos sair daqui sem danos?
          Dizem que passar por essas situações nos fazem crescer, mudar, ficar mais fortes. Isso é algum tipo de regra? Afinal, essa estupidez não me serve de nada porque não só não me regenerou como me afunda cada vez mais. Transforma, mas que não necessariamente toda transformação é uma transformação positiva. Eu não sei se isso é fase, se é estado ou como chamam por aí em locais onde as leis da física seguem ordem lógica, mas o que eu sei sobre o - meu - estado no meio disso tudo é que não há perspectiva nenhuma de melhora ou de conserto da nave. É como se simplesmente não existissem as peças que preciso trocar pra deixar a nave habitável e pronta pra viagem novamente. E aí, sem ela, tudo é um eterno caminhar por entre passagens sinistras, cavernas com rastros de histórias anteriores e culturas desconhecidas. Nem mesmo as quimeras estão por perto pra tornar tudo mais suportável.
          Inicia-se então uma nova busca. Por mim, por você, pelas quimeras e pelas peças. Enquanto meu dia é sua noite, minha noite é seu dia. Enquanto estivermos em lados totalmente opostos, aprenderemos a sobreviver por nós mesmos com nenhuma garantia de sair sem machucados dos desafios que estão por vir. Porém, os mesmos são necessários para que aprendamos a lidar com coisas que ainda não conseguimos. Para, quem sabe, depois de estabilizados, com nova moradia e estabilidade emocional no planeta do caos, possamos reestruturar as fendas e abrir novos caminhos para o nosso reencontro. Encontrar as peças que faltam e arrumar a nave. E, com as portas e os procedimentos de segurança reforçados, voar.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

As panteras do pop

          A parceria que a gente não sabia que precisava no mundo pop chegou e é deliciosa!
Com o terceiro filme da franquia "Charlie's Angels" a ser lançado, estrelado por Kristen Stewart, Naomi Scott e Ella Balinska e dirigido por Elizabeth Banks, a música ''Don't Call Me Angel'' vem como parte da trilha sonora oficial, produzida por Ariana em conjunto com Savan Kotecha, Ilya Salmanzadeh e o gênio da música pop Max Martin.
          No vídeo temos Ariana com suas asas brancas em destaque como líder. A angel perfeita e sob medida. A urgência das batidas no tom perfeito para o trio que ela lidera. Sensual, delicada e fatal, a dangerous woman oficial. As cenas dela na varanda remetem a um One Last Time bem editado e com mais verba. A leveza de Ariana contrasta perfeitamente com a agressividade de Miley. A força e a imponência de Miley são capazes de intimidar qualquer cara que ouse atravessar o caminho dela. Seguindo as mesmas características de outras personagens de traços fortes em trios femininos como a pantera Alex e a espiã Shane, Miley nos dá o melhor da sua atitude e nos deixa com a adrenalina lá no alto.
          O ponto alto é Lana Del Rey, a grande aposta totalmente inusitada nessa parceria. Lana é quem leva tudo a um nível acima e deixa a produção com tom mais sério e maduro. É gostoso demais vê-la nesse papel. Não só porque combina com a persona dela, mas porque ela o faz muito bem. A música te transporta pra outra dimensão quando chegamos aos versos de Lana, que terminam perfeitamente encaixados com suas parceiras. Meticulosa e calculista, ela é o cérebro e a grande chave que conecta as três. Algo como o equilíbrio entre as outras duas. O trio fica perfeitamente balanceado.
          O melhor nessa produção é o cuidado na escolha de cada uma das artistas cujas personalidades contrastam totalmente, fazendo um trio de vadias assassinas que a gente ama assistir. Ariana, em seu auge. Depois de emplacar hit atrás de hit na Billboard, apesar do período sombrio na vida pessoal, vem acertando cada vez mais em sua sonoridade e criando sua identidade musical. Miley, cujo ep rebelde "She is Coming", lançado recentemente, nos mostra cada vez mais sua versatilidade. E o timing para Lana não poderia ser melhor. Com seu álbum recém saído do forno, "Norman Fuckin' Rockwell", mais aclamado e melhor avaliado de sua carreira, contribui ainda mais para o boom e a ascensão da artista para o público mainstream.
          Destaco como pontos altos do clipe: Lana poderosa em sua fortaleza em frente sua lareira, as cenas das três festejando comendo uvas e Miley dançando no corrimão. A fotografia está impecável.

Coloca no repeat, escolhe seu alvo e taca o play: