segunda-feira, 1 de maio de 2017

Yantra Store

     A Yantra Store é uma lojinha de Mandalas muito delícia!
     As mandalas servem como amuletos de energias. Canalizam, intensificam, purificam. A combinação de cores pode ser escolhida de acordo com o tipo de energia que se quer equilibrar no ambiente, mas também pode ser simplesmente decorativa. Os objetivos são bem pessoais e individuais mesmo. Fato é: não dá pra olhar por mais de 1 minuto sem se encantar e querer levar alguma. Tem de vários tamanhos, das mais variadas cores e os preços são bem amigos!

     A Yantra Store foi idealizada e é administrada pela Julia Itaborahy. Além da página do facebook, não é raro vê-la pelas feirinhas e eventos alternativos aqui por Juiz de Fora. Dia desses a vi pelo campus da UFJF e acompanhei um pouquinho da exposição dos trabalhos dela.
     A Julia me contou que a idéia surgiu depois de fazer uma oficina de mandalas com a galera da PLUR, um festival cultural que rola aqui em JF. Apaixonada pela idéia, começou a aprender mais para se desenvolver profissionalmente, experimentando novas linhas e confeccionando peças com cada vez mais qualidade.
     Segundo a própria Julia, a origem do nome, Yantra Store, veio dos elementos contidos nas mandalas.

     "Yantra é um desenho geométrico. E mandala em sânscrito significa "círculo" e também possui outros significados como "círculo mágico" ou "concentração de energia". Os círculos são universalmente associados à meditação, a cura e o sagrado, que funcionam como chaves para os mistérios do nosso interior e que, quando utilizados com este objetivo, remetem ao encontro com os mistérios de nossa alma. E, além disso, cada cor ajuda a harmonizar algo específico. Dá pra criar mandalas de acordo com o que cada pessoa procura."

     O cuidado e o carinho com a confecção de cada peça são capazes de deixar qualquer ambiente mais aconchegante e leve. As mandalas conseguem transmitir a energia delas pra quem compra. Um trabalho muito bonito de se admirar e sentir.


Contatos:

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sábado, 29 de abril de 2017

Outono Passado

     Início do Outono e aquela nostalgia chega discreta tentando arrancar a casquinha do machucado que você deixou. Já era março quando você me drogou e viciou em café desesperadamente? As cenas desconexas na minha cabeça me confundem e fazem achar que levou mais tempo pra me tornar dependente, mas analisando friamente até que a data faz certo sentido.
     A tentativa falha de reviver o que já morreu há tempos fica aqui tentando me arrancar mais um escrito, como quem espreme até secar a última gota. Inútil, afinal. A nave, consertada há anos, descobriu outro sistema e mudou-se há tempos. Anos-luz. É quase como se o arrepio do frio trouxesse as melodias e as conversas todas de volta.
     Tem coisa que é boa de se viver, mas que termina no exato tempo de ter seu fim. Eventualmente lembrar-se disso não é ruim, é apenas lembrar. No passado ter seu lugar.

sábado, 25 de março de 2017

Planeta sem nome

     Faz parte do bloqueio essa ansiedade maldita que insiste em me acordar às 3 a.m. e em reviver as cenas dos meus clássicos em situações cotidianas? Carmen, Hora, Filha do Mar. Referências em meio a originalidades me fazem virar em claro com altas expectativas. Em algum ponto, e não sei mesmo dizer qual, isso se funde ao mar de outros continentes e tudo vira uma coisa só. Uma coisa só, nenhuma coisa. O -in- fluxo me lançou a um planeta total desconhecido na Galáxia dos Cachos, e tudo aqui é um tanto confuso.
     Stitch e os olhos de gatinho me ajudam a desbravar, mas existem certos cantos onde a passagem cabe um lugar só. D. Moss se faz presente, sempre com alguma lição ou recordação importante. Por agora, não me deixa esquecer que o caminho certo é pra frente, e que o ''pra frente'' pode ter vários desvios se não souber enxergar com clareza. As incertezas parecem desfocar e abafar os caminhos estreitos das passagens de um lugar só, dificultando a identificação dos novos horizontes.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Fluxo - antes

Tempos sombrios fora de mim, tempos sombrios dentro de mim.

     Briarcliff parecia o paraíso comparado ao que vivemos, viveremos. Não temos Sister Jude, não temos Lana. Não sei se teremos Stitch e os seus olhos de gatinho. Em meio a tantas cores e tantos planetas na Galáxia dos Cachos, há também o planeta cinza que vaga desordenado numa órbita diferente dos outros, cujas terras são totalmente desconhecidas. Talvez à espera de que um visitante desbrave seus caminhos.
     Dozen parece extremamente habitado e Castell já soa como familiar. Seria esse o objetivo de tanto a desbravar? Há bandeiras por esperar. Num mar de referências e metáforas me afogo e o cinza pareço buscar. Os olhos de gatinho me confortam como nunca antes e isso torna confusa a decisão de seguir a partida constante.
     Entre ventríloquos e rabiscos, me perco belos bosques de Alice. O sorriso grande e disforme do gato me leva a beira das águas não mais habitadas por Ariel. Quem são os diabos marinhos que agora habitam? Muito me lembram Grindylows e Sereianos. Não dá pra dizer. O estalo ocorre no tempo exato de poder observar ao longe um casal descendo o monte ao horizonte. O vento carrega palavras por entre o silêncio ensurdecedor que tanto diz. Algo sobre os mistérios de alguém.
     O anseio pelo novo faz mundos se revelarem. Mundos cheios de gente e de histórias particulares e - por que não? - peculiares. Estar preso numa ponte incomum faz o mundo girar. As reviravoltas do tempo só podem mesmo me fazer pensar no sentido real daquela grande ilha. Tantos recortes e os mais variados frames, juntos, fazem construir uma nova história única por si só. Referências.
     Segue o - in - fluxo.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Séries - The 100

     De todas as séries que já me viciei, cada uma que seja especial terá seu espaço por aqui. A mais recente é The 100 e eu não consigo mais não pensar nela.
     A série se passa 97 anos depois de uma guerra nuclear na Terra. Os sobreviventes moram numa estação espacial, composta por um total de 12 estações, na órbita da Terra. Com poucos recursos, eles tem sua própria lei e qualquer um que cometa algum crime é punido com ejeção ao vácuo do espaço, exceto se tiver menos de 18 anos. Estes ficam presos. Ao verem seus recursos chegando ao fim, eles precisam saber se a Terra é habitável novamente. Decidem então pelo projeto ''The 100'', que consiste em mandar 100 desses jovens prisioneiros de volta ao planeta. Cada um deles com uma pulseira tecnológica desenvolvida para monitorar suas condições e transmitir o efeito de cada estado em cada um dos 100. Ao chegar em terra firme, eles percebem que não estão sós.
     É muito difícil falar sobre The 100 sem dar nenhum tipo de spoiler. Tudo o que se segue a partir do momento em que eles chegam em terra firme mostra que o que achávamos que sabíamos era, na verdade, apenas a ponta do iceberg.
     É preciso ter um pouco de paciência com os personagens no início. A formação de cada um se dá por inúmeros estereótipos que com o passar do tempo são quebrados de formas muito interessantes. A reviravolta do sentimentos pelos personagens é algo muito positivo. Eu não consegui me afeiçoar a nenhum deles durante a primeira temporada, e, hoje, após terminar a terceira, me liguei demais a alguns. Outra coisa importante: as atuações melhoram absurdamente na sequência dos eventos. The 100 é uma série que se revela muito com o passar dos episódios, e uma das poucas séries que já vi até hoje que não tem os ''dramas para encher linguiça''. São poucos episódios por temporada que garantem uma sequência direta e firme.
     Elementos: coisa que gosto demais, demais mesmo, é uma história bem construída repleta de características e elementos interessantes. Frases específicas, objetos, pinturas, cores. Não tem muito como falar sobre os elementos de The 100 sem dar spoiler. Mas são muito legais e isso me pegou muito também.
     A construção dos mundos e de toda a história dos personagens é muito (!!) rica. Isso deixa a excitação de acompanhar a série num ponto alto. Eu devorei a segunda temporada em dois dias.
É legal ver também que cada uma das temporadas gira em torno de um conflito bem diferente da anterior. Quem poderia imaginar a origem daquilo tudo na terceira temporada? Os plot twists são bem fodas. A terceira temporada é a mais densa e me deu uma aflição revoltada de seguir, porém de algum jeito bom.
     A quarta temporada estréia dia 01/02 e com ela vem um novo foco, diferente das outras 3 anteriores. Isso mantém a série viva mas com a história ainda longe de ter um fim. Espero que seja renovada. Minha frustração de acompanhar série corrente é a possibilidade de ser cancelada antes do fim realmente planejado. Já aconteceu antes, falarei disso em outros posts. Espero que este não seja um caso.
Atenção: Essa lista pode variar de acordo com a temporada em que você está assistindo.

Personagens pra amar: Octavia, Raven e Lexa.
Personagens pra odiar: Finn, Jaha, Pyke.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Baú na estrada: Prelúdio do Caos - O Resgate de Luna

     - Sabe, eu sempre achei o Natal uma data meio nada a ver. - ela disse, levando um cigarro à boca.

     Irritado, ele arrancou o isqueiro das mãos dela antes que pudesse acender.

     - Merda, Rayna! Quer mandar essa droga pelos ares?

     - Eu já estou de saco cheio de ficar escondida nesse depósito fedido. - ela rebate, andando até um banco de madeira encostado numa das paredes e se senta. - Quando vamos finalmente colocar alguma ação nisso?

     - Essa é a única data que temos em que a vila não estará focada nas defesas. O Natal sempre chega pra todo mundo, é como um acordo mundial de paz. - anda até ela, a encara e devolve o isqueiro. - Ou trégua.

     - Acha mesmo que essa gente vai respeitar isso? O comandante deles é uma aberração! É surreal esperar uma espécie de reconciliação entre os clãs. Especialmente depois do ataque disfarçado na semana do Halloween. Eles estão com as crianças, e se Luna não tiver conseguido se misturar como esperamos que tenha conseguido, tudo isso será inútil!

     - O comandante deles consegue do povo o que quer porque mantém as tradições deles. São um povo extremamente religioso. Essa será uma ''semana de celebração e surpresas incríveis''. - diz em tom de deboche, lendo um panfleto amassado.

     Rayna e Caio conversam em tom baixo, atrás de dois armários de mantimentos num celeiro antigo, usado como depósito pelo Clã Gardestrike. Há cerca de um mês, o comandante quebrou o acordo de união entre os 5 clãs e atacou a vila deles, matando 29 pessoas e sequestrando 9 crianças. As 9 crianças, membros de um grupo seleto de jovens feiticeiros em potencial, recebiam treinamento especial para desenvolver suas habilidades em campo, de acordo com as teorias dos grandes ancestrais. Luna, a herdeira do trono do Clã Seavell, tem uma inteligência muito superior à sua idade aparente. Desenvolveu tecnologias que se fizeram necessárias na defesa de sua vila. Uma vila muito mais avançada tecnologicamente do que sua frágil aparência mostra.

     - Eles não farão mal à Luna. Precisam do seu conhecimento.

     - Ela é só uma menina! Não deveria estar enfrentando esse tipo de coisa. - Rayna altera o tom de voz. - Nenhum de nós deveria!

     - Vamos resgatá-la, e quando dermos fim nessa loucura o acordo de união prevalecerá. Nenhum dos outros clãs ficará contra nós. - Caio está sentado no chão, olhando confiante para Rayna.

     - Algo não está certo... Esse ataque não faz sentido. - ela levanta e começa a caminhar pelo pouco espaço livre na bagunça do depósito. - As movimentações na vila não parecem naturais. Hoje pela manhã, bem cedo, ouvi dois guardas conversando. Eles falavam sobre uma grande virada inesperada. Falavam sobre o lendário livro da primeira comandante. Como se fosse... real.

     - Eles são fanáticos religiosos, Ray. Essas datas mexem mais do que o normal com os poucos neurônios deles. - fala com desdém.

     - Caio, eles falavam sobre uma cerimônia. - diz aflita. - Não dava pra identificar todas as palavras, mas uma cerimônia envolvendo o livro. Envolvendo Luna. Acreditam que esse Natal trouxe a dádiva esperada, o presente destinado.

     - O diário de Gaia é lenda, Ray. Assim como todas as crenças que nos foram ensinadas na infância. Você sabe que muitas das histórias não são verdade. - ele diz, impaciente.

     Ela o encara por alguns instantes antes de provocar.

     - Você não me parece mais tão certo disso.

     Caio se irrita, levanta e caminha depressa até ela. Ao ficar cara a cara, tira um punhal do bolso e aponta para seu rosto.

     - Que se dane esse livro maldito! Não deixarei que encostem em Luna ou em qualquer outra das crianças. Vamos agir essa noite. - ele brada, ofegante.

     Eles se encaram em silêncio enquanto a respiração de Caio volta ao normal. Ele abaixa o punhal e volta a se sentar no chão. Rayna sorri.

-

     Numa sala de estar, um soldado está largado no sofá assistindo televisão. Uma porta se abre atrás dele e outro soldado entra.

     - Já levou a comida das que estão aqui hoje? - ele pergunta

     O soldado do sofá nem se mexe.

     - Tentei levar pela manhã, mas a do olho cinza me atacou e derrubou tudo. Joguei de volta nela e disse que elas não comeriam hoje mais, em castigo pelo desaforo.

     - Já é quase meia-noite! Você sabe que o comandante precisa delas em bom estado. - diz o soldado, que agora está no balcão da cozinha abrindo dois potes cobertos com papel alumínio.

     É uma casa bem simples, de pequenos cômodos. Além da sala/cozinha e do quarto onde as crianças estão, apenas um banheiro no fim do corredor.

     - Não to nem aí. Que morram de fome, não posso obrigá-las a comer. - os olhos imóveis fixados na televisão.

     O soldado pensou em retrucar, mas apenas tratou de arrumar a comida em dois pratos e voltar pela porta de onde entrou.
     A madeira velha do piso da varanda de frente da casa range em resposta a passos pesados, anunciando a chegada de alguém. Pouco antes de sequer baterem à porta, ela se abre revelando o soldado que estava deitado, agora armado.

     - Parece que o Natal se antecipou esse ano. - disse sorrindo e abaixando a arma, dando uma conferida na roupa da Mamãe Noel à sua frente. - Luna, venha ver quem veio nos visitar! - gritou para dentro da casa, segundos antes da bala do revólver do Noel entrar na sua cabeça.



Esse post faz parte do projeto intitulado ''Baú na Estrada'' em parceria com a Beca, do Café de Beira de Estrada, no qual postaremos em quartas alternadas um texto de acordo com tema sugerido um para o outro.
O texto dela dessa semana você pode ler clicando aqui!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Observadores

     Dois observadores, de longe em seus próprios caminhos. Viajantes, um trilha um caminho extenso de terras e diferentes tribos. O outro, ainda a pequenos passos, começa a descobrir toda a imensidão dos povos e das galáxias. Diferentes jornadas que se encontram num espaço de tempo.

     - Ciro veio visitar o Circo.

     Talvez Marino, talvez Corda. O nome não é de muita certeza, não. Bono carrega o mistério. Também carrega a bagagem de outros e revela pouco sobre si, mas se espicha mais por outro mistério ver. Precisa bem conhecer. E esse foi o principal ponto de acontecimento na linha de seguimento, para que os viajantes se cruzassem, enfim. Do circo de Ciro, Bono aprendeu trapézios, histórias, risadas. Dos povos das galáxias de Bono, Ciro ouviu sobre o escuro e as estratégias de se vencer por contornar. Tempos difíceis das jornadas, compartilhadas por entre risadas. Sussuros no picadeiro escuro como se ninguém ao redor pudesse escutá-los. Apesar de sozinhos, as confidências em tom baixo faziam-se necessárias por causa da lua. O tom da lua sobre os dois deixava tudo meio mágico. As histórias, narradas com empolgação e mistério em doses certas, criavam um novo cenário com os objetos deixados ali. Corriam por entre as cadeiras gritando e contando empolgados.
     O circo ficou. Mais tempo do que jamais ficara em outras cidades por aí. A bagagem dos outros de Bono foi ficando sempre guardada num canto. Os nomes de Ciro também. Mas era necessário partir, seguir. O show de todo artista tem que continuar, a próxima tribo ficava distante e o caminho bem longo.
     A medida que a data da partida se aproximava, os observadores observavam cada vez mais um ao outro e a si mesmos. As histórias silenciavam, diminuíam os tons. As corridas já não haviam mais e a lua já não banhava tão brilhante assim.

     - Me observava observar você. Bad timing, afinal constrói peças e mundos por aí. - Bono disse com um beijo no rosto.

     O circo segue. Bono parte.