Em dezembro achei um texto que escrevi no final de 2024 com as minhas expectativas para 2025 e me senti engraçado. Me senti inspirado, mas de uma maneira quase condescendente. Acho que era mais uma admiração do que inspiração, de fato. De toda forma acabei fazendo um texto de expectativas pro ano novo e agora que eu voltei dessa viagem eu vejo que realmente não dava pra prever o que aconteceria. O sentimento que tive ao ler as expectativas de um ano atrás se intensifica um pouco mais depois desse retorno pra Jufas. O paralelo entre ''to no caminho certo, encaminhado, tem tudo pra só melhorar'' versus ''pelo amor de deus, eu só quero desistir e me encolher no meu canto, sai daqui''.
A verdade é que eu voltei dessa virada traumatizado. Bati o bingo das coisas negativas que poderiam acontecer, tô triste mas impressionado. Eu não quero desistir, mas não bastassem os traumas da virada, bastou botar o pé de volta aqui pra todas aquelas coisas voltarem junto comigo. Viver na minha cabeça tem sido desafiador, ontem eu transitei por quatro ou cinco oscilações de humor durante o expediente de trabalho. Tanta coisa me amassou tão constantemente que eu fiquei cansado e aí mesmo sendo amassado bem menos, ao menor sinal lá vamos nós all way down de novo. Cansativo.
Fato é: a virada não sai da minha cabeça e durante os devaneios de hoje eu tava discutindo que tá, não me adianta IDENTIFICAR determinadas coisas. Eu não quero IDENTIFICAR, eu quero SEGUIR EM FRENTE. Identifiquei e aí? Que que eu faço com isso? Me poupe. Bora resetar, sabe. A complexibilidade do ser humano é linda e horrível aos meus olhos. Quando eu penso muito que não dá pra ser mecânico e encaixar tudo em fórmula, penso no ser humano e acho lindo mas puta que pariu também, que saco.
Na esquina de cada rolo compressor que passa por cima da gente, muitas vezes a gente anseia em voltar pra um lugar e espaço tempo que não existem mais, além de dentro da nossa cabeça. Meu mind drive é idêntico ao da Clarke, vivo dizendo isso. O dia que eu achei uma sala num museu em Washington D.C. representando isso eu fiquei atônito. Achei lindo, louco, genial, trágico. Tudo ao mesmo tempo. Me senti entendido e representado em grande escala, um encontro realmente transcendental.
Pensando em tudo isso eu gostaria de abaixar as minhas intenções para com 2026. É um tanto injusto comigo e com o tanto que tenho lutado pra construir algo real pra mim, mas ao mesmo tempo é justíssimo pra essa outra parte de mim que carece cada vez mais de um cuidado que eu ainda não fui capaz de ter comigo mesmo.
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