domingo, 5 de abril de 2015

Dois segundos

     A vida é a coisa mais sem sentido e irônica que existe na própria vida. Uma série de acontecimentos pode nos levar a ter essa reflexão, mas um em particular. A vida às vezes te pega, te destrói e te deixa lá aos pedaços e parece que diz ''agora se vira aí e vai em frente''.
Não sei lidar com perdas. Não sei, nunca saberei, nunca quererei. Nada pode ser mais doloroso, cruel, e, por tantas vezes, injusto.
     Não sei sair, beber, dançar, ouvir as músicas que compartilhávamos e ficar na boa. Não sei ficar numa boa. Não sei me sentir corroído por dentro e ir ali rir com as pegadinhas do Silvio Santos. Tanta coisa é cobrada da gente depois que a gente cresce e eu sempre disse: não sei ser adulto. Não sei ter que passar por cima dos outros, não sei fazer qualquer outra coisa que não parta do princípio de amar. Isso, de forma alguma, significa que não saiba me defender, mas por tantas e tantas vezes me faz fraco. Mas se ser forte significa não sentir, não se importar, então fraco quero ser. Faço força na minha fraqueza, e isso me faz mais forte do que qualquer outra coisa. Do meu jeito, no meu tempo.
     É tão bizarro, sem sentido, você viver nesse ritmo maluco frenético sem noção correndo sempre atrás de conseguir fazer tudo, conquistar seu espaço, construir algo e de repente outro algo vir com mais força de impacto e te deixar estirado no chão, sem reação. E isso te faz perceber que você não vale nada. Que tudo é tão eterno, mas é tão frágil que em dois segundos pode nunca mais estar ali daquele jeito.
     É preciso ter um propósito maior, algo de realmente significativo pra se fazer no meio dessa insanidade toda. É preciso, é vital. E, se é assim, no fim tudo o que importa é o que você foi e o que você fez em cada pessoa que cruzou a sua vida, que dividiu a sua vida. O que representou em cada uma. Na minha, cada uma delas me inspira de uma forma diferente, e por isso perdê-las pode ser um tipo de dor irreparável.
     Uma das minhas citações favoritas em músicas é ''and I am so sick of tryin' to live forever when we're all dying". Sempre representou uma metáfora, pra mim. Mas agora é mais real do que jamais foi. Assim como o primeiro de Abril. Assim como a marca no travesseiro, a letra no papel.
   


"sorte da vida foi quando eu então te conheci, veio assim, sem pedir, de repente tava ali por mim"

8 comentários:

  1. Às vezes me canso de ter que ser forte o tempo todo...
    É quando me permito ser fraca, pelo menos um pouco, me permito sofrer, chorar, sentir falta, pedir colo (quando se tem pra quem pedir)... mas também não dá pra ser pra sempre!
    A vida parece ser cruel, nos tornando cruéis com nossos próprios sentimentos, como se não fosse permitido senti-los...
    Xi... Acho que não tô legal... Melhor parar de escrever!

    Lindo texto, mais uma vez!
    Permita-se!

    Um beijo.

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    1. Mas você disse uma grande verdade: nos permitimos ser fracos sim, mas não dá pra ser pra sempre! É onde conseguimos então achar o equilíbrio pra seguir, mesmo que com dificuldade.
      Obrigado!

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  2. Tô digitando com os pés porque as mãos estão ocupadas aplaudindo esse texto lindo

    Cheiro de Pipoca

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  3. Ser adulto não é fácil, acredite! Tenho 34 anos e ainda estou aprendendo a lidar com as artimanhas das pessoas, com o modo desenfreado dessa vida urbana, lidar com multitarefas e ainda ter que cuidar de mim mesma. Não é fácil, mas amadurecemos muito e isso é positivo porque nos tornamos pessoas melhores, mais sensíveis, pelo menos no meu caso. Adorei o texto, reflexivo e poético ao mesmo tempo. Bjs www.janelasingular.com.br

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    1. Toda essa coisa de multitarefas é uma loucura, Ana Paula! Ter que condicionar os sentimentos com isso é ainda mais loucura. Espero conseguir me tornar alguém melhor assim também. Fico feliz que tenha gostado!

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  4. Olá, Johnny! Te indiquei para responder uma tag, espero que goste. Abraços!

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    1. Acabei de ver, que legal! Vou fazer sim, beijosss

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