Sonza cresceu na internet através de covers no youtube e em 2017 lançou seu primeiro EP digital pela Universal Music. Assim como os meus amigos, eu já tinha ouvido falar dela aqui e ali mas ela só foi me bater mesmo muito tempo depois, daí comecei a voltar e pesquisar e descobrir várias coisas.
As músicas "Devagarinho" e "Boa Menina" tem certificado de diamante e de ouro, respectivamente. Os videoclipes também bombam no youtube! ''Devagarinho'' conta com 73 milhões de visualizações, ''Boa Menina'' já tem quase 80 milhões, e foi com essa música onde eu comecei a acompanhar mais de perto o trabalho da artista.
Luisa ganhou o premio de Revelação Musical pelo "Premio Contigo! Online 2019", que é aberto a votação popular, além de já ter ganho vários outros prêmios, como "Melhor Cover da Web", pelo Premio Multishow 2017, "Revelação do ano" no Women's Music Event Awards 2018 e por aí vai.
O grande lance da Luisa é que ela é firme demais! E essa é uma das coisas que eu acho mais interessantes nela. Isso me abriu portas a conhecer, de fato, o seu trabalho. Numa ocasião ela desceu de um avião ao saber que compartilharia o voo com o, até então, candidato a presidência. Noutra, pulou fora das gravações do dvd de um cantor tão logo ele deu uma declaração transfóbica, mesmo sabendo da visibilidade que isso traria pra ela. O que eu quero dizer com isso é: ela se sustenta. E se sustenta muito! Fiel aos seus ideais, Luisa não se esconde de firmar suas opiniões e de dizer em alto e bom tom: ''eu sou assim e se você não gosta o problema é seu".
Existe uma grande preocupação por parte dela em ser leal ao que acredita e conseguir passar isso de maneira certa ao seu público. Ela analisa bastante as parcerias que faz e é muito verdadeira com relação ao que sente e o que pensa sobre os assuntos. Não foge da raia na hora de se posicionar e incentiva, sempre, a força e o direito da mulher fazer o que quiser fazer.
Nas letras, com frases como ''um homem que é homem de verdade cria o filho mostrando pra ele o que a vida tem pra dar'' e ''não deixem te dizer o que deve fazer, (...) não me interessa o que pensam de mim'' ela mostra que não tá nem aí mesmo. Como mulher, julgada por ser sensual ou por mostrar o corpo, mostra que está bem consigo mesma e que se alguém vem pra ofender, o problema está com a pessoa e não com ela. E como um bom funk pop que a gente gosta, dá-lhe dança e batidão.
Luisa usa da visibilidade que tem pra levantar discussões atuais, bandeiras empoderadas e feministas e pra ajudar a dar atenção às causas importantes e sociais. Ela é confiante, decidida e tá pior do que cê possa imaginar!
Depois do lançamento de Pandora, ela segue firme nos projetos. Fez participação internacional na música "The Weekend" da boyband canadense PRETTYMUCH, a qual tive a grande oportunidade de fazer a cobertura do lançamento pro site Hashtag Pop no mês de novembro passado, na Casa do Popline. Fez parceria também com o PK na baladinha "Tudo de Bom" e teve o hit "Combatchy", parceria explosiva com Anitta, Lexa e Mc Rebecca. Os planos pra 2020 reservam ainda mais surpresas.
Recém capa da Forbes, como destaque na lista de milionários com menos de 30 anos, ela constantemente recebe uma chuva de críticas na internet. As críticas vem porque muita gente costuma demonizar o sensual, a ousadia, o exagero e até mesmo as falas políticas. Viemos de uma geração que ainda está muito presa aos chamados ''valores tradicionais'' ou ''bom comportamento'' e que cresceu reprimida e julgadora, sem nem mesmo ter o viés pra isso. Quem é que decide como é que o outro deve ou não viver e se expressar, afinal? O que é considerado ofensivo e o quem define isso? O quanto de direito temos de apontar para o outro e dizer coisas cruéis sem termos a responsabilidade emocional acerca das consequências disso? Esse é o tipo de coisa em que eu me pego pensando quando vejo alguém criticar artistas como a Luisa e a Anitta, mas que dá todo o suporte para as gringas tipo a Shakira, Rihanna ou Britney.
A diferença está nas culturas ou na síndrome de vira lata, que parece nunca nos deixar?
Após o lançamento da Forbes, Luisa postou um texto falando sobre tudo isso:
''Já fui chamada de tudo um pouco desde que apareci nessa internet. Interesseira, puta, burra, encostada, vagabunda, entre outros milhares de adjetivos que leio desde que eu tinha 17 anos.''
''Hoje eu sou milionária e ganho tanto quanto o meu marido, tenho a carreira totalmente independente em outra área que não tem nada a ver com o trabalho do meu marido, mas até hoje se eu ler qualquer comentário em algum site de fofoca sobre mim lá vai estar ''arrancando todo o dinheiro do Whindersson'', ''Whindersson comprou a carreira dela'', ''Whindersson que paga as coisas'' e assim por diante, mesmo eu e ele dividindo até a conta de luz. A real é que é difícil aceitarem uma mulher de sucesso. Mas vocês vão ter que engolir.''
Em tempos difíceis como os de hoje é preciso falar. É preciso ter sua voz ouvida e é preciso fazer isso de todas as formas possíveis. Seja através da arte, de um projeto ou de atitudes no dia a dia mesmo. É muito bacana ver artistas importantes dessa nova geração mostrando isso pra galera mais nova. Luisa faz parte do time de artistas que falam (e muito!) sobre igualdade, liberdade, diversidade. O pop no Brasil nunca esteve tão bom como atualmente. Artistas como Iza, Gloria Groove, Pabllo Vittar, Anitta, Lexa e a própria Luisa vêm redesenhando esse cenário e conquistando um espaço cada vez maior pra eles e pro seu público, além de incentivar toda uma leva de outros artistas a fazerem o mesmo. Promover a discussão, inclusão e assuntos tão importantes junto com entretenimento é mais do que necessário e é animador saber que ela não vai mais parar!










