sexta-feira, 13 de setembro de 2019

As panteras do pop

          A parceria que a gente não sabia que precisava no mundo pop chegou e é deliciosa!
Com o terceiro filme da franquia "Charlie's Angels" a ser lançado, estrelado por Kristen Stewart, Naomi Scott e Ella Balinska e dirigido por Elizabeth Banks, a música ''Don't Call Me Angel'' vem como parte da trilha sonora oficial, produzida por Ariana em conjunto com Savan Kotecha, Ilya Salmanzadeh e o gênio da música pop Max Martin.
          No vídeo temos Ariana com suas asas brancas em destaque como líder. A angel perfeita e sob medida. A urgência das batidas no tom perfeito para o trio que ela lidera. Sensual, delicada e fatal, a dangerous woman oficial. As cenas dela na varanda remetem a um One Last Time bem editado e com mais verba. A leveza de Ariana contrasta perfeitamente com a agressividade de Miley. A força e a imponência de Miley são capazes de intimidar qualquer cara que ouse atravessar o caminho dela. Seguindo as mesmas características de outras personagens de traços fortes em trios femininos como a pantera Alex e a espiã Shane, Miley nos dá o melhor da sua atitude e nos deixa com a adrenalina lá no alto.
          O ponto alto é Lana Del Rey, a grande aposta totalmente inusitada nessa parceria. Lana é quem leva tudo a um nível acima e deixa a produção com tom mais sério e maduro. É gostoso demais vê-la nesse papel. Não só porque combina com a persona dela, mas porque ela o faz muito bem. A música te transporta pra outra dimensão quando chegamos aos versos de Lana, que terminam perfeitamente encaixados com suas parceiras. Meticulosa e calculista, ela é o cérebro e a grande chave que conecta as três. Algo como o equilíbrio entre as outras duas. O trio fica perfeitamente balanceado.
          O melhor nessa produção é o cuidado na escolha de cada uma das artistas cujas personalidades contrastam totalmente, fazendo um trio de vadias assassinas que a gente ama assistir. Ariana, em seu auge. Depois de emplacar hit atrás de hit na Billboard, apesar do período sombrio na vida pessoal, vem acertando cada vez mais em sua sonoridade e criando sua identidade musical. Miley, cujo ep rebelde "She is Coming", lançado recentemente, nos mostra cada vez mais sua versatilidade. E o timing para Lana não poderia ser melhor. Com seu álbum recém saído do forno, "Norman Fuckin' Rockwell", mais aclamado e melhor avaliado de sua carreira, contribui ainda mais para o boom e a ascensão da artista para o público mainstream.
          Destaco como pontos altos do clipe: Lana poderosa em sua fortaleza em frente sua lareira, as cenas das três festejando comendo uvas e Miley dançando no corrimão. A fotografia está impecável.

Coloca no repeat, escolhe seu alvo e taca o play:




quarta-feira, 11 de setembro de 2019

.xanax.

          Eu ainda espero receber uma mensagem sua no meio da tarde. Espero chegar em casa e te encontrar largado no quarto jogando seu jogo no computador. Espero o abraço apertado e o cheiro no pescoço depois de um dia cheio. Espero seu beijo de boa noite. Acordar cedo, te levar café na cama e ver sua cara de confusão e felicidade misturada com preguiça e vontade de ficar na cama o dia todo. Do seu amor, de cada parte do seu corpo tocando o meu. Eu ainda espero o arrepio e o frio na barriga.
          Olhando pra tudo eu só não consigo. Fomos tanto, podíamos sê-lo tão mais. Duas realidades distintas dentro do mesmo ser. Como pode você sofrer tanto com o nosso fim se quando comigo se vai com outros? Nos desmancha enquanto juntos, nos desmanchamos enquanto separados. As crises constantes de ansiedade parecem apenas ter começado e eu sinto que vieram pra ficar. Tão forte que já nem sei mais onde terminam meus dedos e onde começam os desse monstro que se entrelaçou em mim todo desde que você se foi. Desde que você ainda estava aqui, na verdade. Mas que cresceu e tomou todo o seu espaço e mais.
          Já não existe ar na atmosfera. Já não existe atmosfera. Já não existe realidade segura. Ou realidade alguma. L'amour Toujours. Comme une coupure électrique.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Antes │ Até quando você vai ficar?

          Cê vem aqui e me engana. Diz que me ama só pra depois ir embora de novo. Até quando você vai ficar?
          Até quando vai fazer de mim o seu porto seguro quando o seu porto é um destino de pura insegurança? Não dá pra aportar aí. Já perdi a conta de quantos navios foram destruídos nessa guerra perdida. Até quando você vai entrar por essa porta e tirar cada uma das coisas que eu custei a ajeitar no lugar, deixar toda a sua bagunça e depois simplesmente ir?
          Cê se desliga de mim, segue seu baile, faz tudo o que tem pra fazer e depois vem pedir abrigo. Ao menos, agora, se desliga. Não tem mais a mínima condição. O meu porto tá falido e eu to mudando de endereço hoje à noite.
          Olha pro caos que você espalhou por aqui. Nós pegamos uma coisa em todo o seu potencial de ser e simplesmente desfizemos todos os nós, um por um. E, por mais que eu tenha tentado com todas as minhas forças manter tudo no seu lugar, foi tudo em vão. Agora a gente vaga por aí em caminhos diferentes e cê insiste em tentar arrumar alguma encruzilhada pra cruzar na minha via. Talvez numa outra dimensão eu achasse isso romântico e encarasse como um sinal, mas isso é apenas... injusto. Nessa dimensão aqui eu não to aceitando migalha e to recolhendo meus destroços.
          A minha jóia da alma foi levada há muito tempo e eu só percebi que fico vagando nesse limbo depois que a explosão no peito de te ver de novo me atirou com tudo no chão. Nesse labirinto sem fim, repleto de corredores e de lembranças suas, eu só quero achar a saída e pegar minha nave.
          Eu já deveria estar me sentindo melhor agora mas eu simplesmente não consigo porque, mais uma vez, eu preciso te perguntar. Até quando você vai ficar?




05/06/19 (antes?)

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Cinco

          Cinco anos depois daria pra ter construído uma nova vida. Daria pra ter uma casa nova, dois gatos e um novo amor. Um novo sorriso. Cinco anos depois daria pra reabrir um bunker após um apocalipse. Talvez tenha sido isso que eu fiz. Os desenhos continuam lá. Pelas paredes, pelos cadernos de nota. Os poemas. A cortina azul se foi há muito. Se você tivesse ouvido alguma das centenas de ligações que te fiz ao longo desses anos, saberia. Saberia também que estou bem. Saberia que sobrevivi. Saberia do quanto viajei, do quanto, além de sobreviver, vivi. Me lembro do quanto nesse meio tempo cantei. Pra quem? Por mim.
          Imagino que aí do outro lado seja tudo muito diferente. Tudo muito colorido e alegre. Sei que vive bem aí também. Uma vez cê me disse que quem sabe talvez a gente se esbarre num outro depois. Eu imagino essa conversa que engraçada e curiosa seria. Eu já não tenho mais meu antigo filtro dos sonhos. Cê haveria de saber que meus sonhos mudaram. Talvez aí do outro lado existam outros. É bem bonita a imagem que faço de uma varanda sua com um filtro verde desses e uma rede de frente pra um cheiro bom de mato molhado num quintal pequeno e esquisito.
          Ainda hoje eu tava falando sobre como é estranha a nossa percepção de tempo pra algumas coisas. Sinto que há tão pouco tempo eu ainda descobria tanto da vida, mas sinto que a gente foi há tão mais que cinco. Uma vida por entre as vidas. Um breve registro do in-fluxo seria bom hoje. Cinco era realmente uma das metas do projeto. Talvez tivesse sido pior se tivesse existido.
          Começo com essas divagações e é quando percebo que já parei de fazer sentido outra vez. Mas alguma vez existiu sentido nessa coisa toda? Sei que muito além de Sete Textos, cê me preparou pra uma grande viagem intergaláctica. Por isso pude voar depois em nova companhia. Mas não te devo isso não, devo a mim mesmo. Por ter enfrentado e capotado tantas e tantas vezes. Alguém vive me dizendo que os fins justificam os meios. Mas isso só se dá depois dos fins, né. O que cê faz enquanto vive nos meios? E se esse meio nunca tem fim?

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Esse que agora é

          Eu me pergunto as mesmas coisas de tantas maneiras diferentes e respondo de tantas outras que nem parecem os mesmos questionamentos. Eu não sei se é a falsa esperança de fazer as mesmas coisas esperando resultados diferentes ou se eu to só seguindo o fluxo mesmo. Eu me pergunto as mesmas coisas. Fato é que há muito já não sou e a sensação é a de que é alguém que é. E esse alguém, eu não sei quem, continua sendo por tanto tempo que já é. E eu me pergunto. E se ele é, então quem eu sou? Ou onde eu to? Como que coexiste com esse Prime de mente estranha e corpo semelhante?
          Raras vezes emerjo e quando o faço é tão bom. É como respirar ar puro depois de anos enfiado na cidade grande de ar extremamente poluído. Mas dura tão pouco que é quase uma nebulização. Nesses lapsos, eu queria ficar. Querendo ficar sem saber como o fazer. Quando o tempo acaba, volto a ficar submerso até a próxima contagem acabar e eu poder voltar pra superfície mais um pouco.
          Eu não sei se essa é uma má herança ou se eu é que dei defeito mesmo. Mas esse que já não é, tomou o lugar do maluco invocado e só restou mesmo um pouco de bom humor. Ou humor condescendente. O que é deveras estranho porque quando penso nisso, a sensação de que o invocado se remexe é nítida.
          E aí que de tanto me perguntar e nada me responder to aí. Hora no fundo, hora na superfície. Junto com esse que agora é mas com uma pequena chama acesa daquele que já foi. Os bugs de lembrança desse hora ganham ou então me matam de vez.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

O íntimo de Clarice Falcão │ Tem Conserto (2019)

          Obscuramente no ponto certo, Tem Conserto traz uma certa solidão que é aconchegante. Talvez o fato de reconhecer em alguém as próprias aflições e os sentimentos mais íntimos - aqueles que não falamos em voz alta pra ninguém. O disco traz uma mistura perfeita de letras que tratam sobre uma profunda solidão, ora mascarada, ora bem crua, com um misto de excitação, euforia e um quê de tesão, misturando uma sonoridade de sintetizadores da disco music setentista/oitentista com pop music de qualidade.
          É notável a trajetória musical de Clarice até aqui. De Monomania (2013) e Problema Meu (2016) ao recém lançado Tem Conserto, ela transita por estilos bem diferentes de um disco pro outro, o que marca claramente cada um de seus estágios e períodos da carreira. Tem Conserto é um álbum muito honesto e profundo. Com a incrível produção de Lucas de Paiva, ainda tem aqui a marca humorística característica de Clarice, presente em diferentes versões do que estamos acostumados. Seu terceiro álbum de estúdio é a reflexão e beleza da tristeza, mas também é a despretensão de um sábado à noite e um rolê. É a expectativa da semana e o fim de noite que passou com tudo em cima de você. É a expressão exata do que você sente ali estirado no chão - ou na cama. "Hoje eu não saio dessa cama nem a pau".
          A doce melancolia de Clarice soa bem aos ouvidos e à cabeça. Se em "Minha Cabeça", primeiro single, ela "Repete as mesmas coisas/Minha cabeça repete as mesmas coisas/Até não ter mais coisa'', aqui ela traz um bocado de coisas novas. O segundo single, "Mal Pra Saúde", é também meu favorito. Sempre me encantam músicas que trazem nostalgia de algo que não vivemos mas ao mesmo tempo vivemos. Pra completar esse sentimento, Falcão nos traz um videoclipe feito no movie maker direto do túnel do tempo onde há nem tanto tempo assim vivíamos de orkut, flogão e comic sans. O tiro certeiro.
          "Esvaziou", terceira música de trabalho, adentra mais. O peso e a falta de algúem que era alguém demais pra ficar. Como pode o partir de um deixar a sensação de que ninguém ficou? O anseio de quem só sabe viver se o hoje for amanhã anseia mais ainda no peito de quem vive junto, até que o balão esvazie.
          Em "Horizontalmente", percebe-se que Clarice é do tipo de artista das mais interessantes. A que faz música e show para deleite próprio e também para o de seu público. Se na letra ela diz que finge nem ouvir se for proibido deitar e que não sai da cama nem a pau, sonoramente ela faz nossos pés balançarem nosso corpo todo numa produção bem gostosa. São paralelos inteligentes presentes tanto nessa faixa quanto no resto do álbum.
          "Morrer Tanto" consegue exprimir com tanta precisão o significado de cada palavra na letra que é até difícil de explicar. A produção dessa música, a sutileza das mudanças e efeitos combinados com a voz de Clarice enquanto lamenta a exaustão de sentir demais, de se apegar demais, de morrer demais. "Tem gente que põe uma roupa e segue em frente/Feito não doesse/Feito fosse fácil/Feito fosse isso/Feito não morresse''. É a música mais brilhante do disco. Provavelmente a com maior carga também.
          É impossível falar desse cd sem falas das duas faixas que mais se destacam. Em ''Dia D'', Clarice vai aos poucos, frase por frase, batida por batida, contando ao ouvinte a grande expectativa do fim de semana. Típico de um grande evento para o qual levam-se dias de preparação e excitação. O auge do fim de semana, do mês. "Esperei semana toda/Hoje vai ter que rolar/Não vai ter escapatória/Meu amor, não vai prestar''. O humor sexual da cantora é tão bom quanto o mórbido. Em "Só + 6", uma batida mais pesada dá início à uma solidão mais profunda. Àquela de quem se joga de um lugar ao outro pra esquecer, pra não pensar. Pra só ser. ''Na boca pro Beco do Rato pro after de alguém/Pra casa do amigo do primo de não sei bem quem/Pro bloco até esse bloco não ter mais ninguém/Sou livre, sou livre, sou livre, até ser refém/Só mais seis, depois só mais seis outra vez/Vou esperar o sol nascer e vou". Temos ainda "CDJ", uma música cuja letra vem cheia de trocadilhos. O efeito da palavra ''som'' ao longo da música é essencial pro ápice da música, muito bem encaixado com o restante por sinal.
          "Tem Conserto", música que não só dá nome como fecha o álbum, vem pra abrir a ferida e também dar esperança de que, apesar de não estar lá grande coisa, tem solução. ''To quebrada, mas tem conserto/Não sei como, mas tem conserto/To capenga, mas tem conserto/Tá difícil, mas tem conserto". É um tratado de paz consigo mesma. É aprender a conviver com a ansiedade e entender que tá tudo bem não viver num conto de fadas da vida ideal. A sociedade impõe altos padrões e é não raro sucumbir a pressão do imediatismo de hoje em dia.
         O cd tem ao todo nove músicas. Quando saiu, pensei que era pouca coisa. Fato é que cada uma delas se completa e torna a experiência completa entre si. Tenho a sensação de que se houvessem mais, nesse caso, realmente seria dispensável e acabaria interferindo pra essência ficar na medida como ficou. Se em outras ocasiões ela caminhou meio torta, nesse lançamento ela caminha em direção certeira.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Filmes │ Mistério no Mediterrâneo (2019)

          Em "Mistério no Mediterrâneo", Adam Sandler e Jennifer Aniston são o casal Nick e Audrey Spitz e estão indo comemorar os 15 anos de casados numa viagem para a Europa. Durante o vôo conhecem Charles Cavendish, um visconde milionário que os convida para ir à Mônaco no iate de seu tio. Durante a viagem, um crime acontece e todos a bordo são suspeitos, incluindo os americanos.
          Os personagens são bastante caricatos e a marcação das cores dos figurinos é bem característica. É quase como assistir um live action do clássico jogo Detetive. Pelo tom de humor no enredo, normalmente abordado de forma bem mais séria no meio cinematográfico, pode-se dizer que é uma versão cômica de Agatha Christie. A química de Jennifer Aniston e Adam Sandler convence bastante em cena e é bem divertido vê-los como dois pobretões em meio à um mistério luxuoso.
          A marcação das características dos personagens me interessou bastante. O conde e a atriz de Hollywood com todos os clichês muito bem desenhados e interpretados foram os meus favoritos.
Quem matou o bilionário Quince? O filho? O marajá? A amante? O visconde? A atriz? O chef? O piloto?
          As locações são muito marcadas também, assim como os personagens. A contextualização é ótima pro mistério que a história promete. A trilha quebra o visual, lembrando ao telespectador que, apesar do enredo, estamos assistindo uma comédia inteligente.
          Sandler, no papel do detetive fajuto, está no ponto. Normalmente, os filmes dele me cansam muito rápido por serem sempre uma repetição da mesma fórmula. Quase não assisti esse filme por isso. Dei uma chance pela Jennifer Aniston. Não me arrependi. Em geral não gosto de filmes de comédia exatamente pela repetição da mesma fórmula over and over again. "Mistério no Mediterrâneo" é bem em cima do ponto de uma comédia mediana que instiga o seu lado criativo. Afinal, quem não gosta de um bom filme de charada com um assassino?
          Jennifer está ótima! É como se víssemos Rachel no futuro, num outro contexto. Me agrada ver que, apesar de ter filmes tenebrosos em sua filmografia (como Quero Matar Meu Chefe) posso contar com ela pra um fim de noite de domingo com o crush, pipoca e refrigerante. A parceria dos dois atores, que deu super certo em "Esposa de Mentirinha", em 2011, volta a funcionar perfeitamente.
          Se você está esperando um filme pra dar altas gargalhadas, é melhor procurar outro no catálogo, mas isso depende muito do seu tipo de humor. É um filme que não tem nada de excepcional, mas diverte e entretém bastante. Ele me agradou muito por não ter aquele humor bobalhão, muito comum em comédias americanas. E dá pra se identificar bastante com o casal.
          O filme é uma produção original da Netflix e acabou de ser lançado dia 14 de junho. Alías, eu AMEI a referência à Agatha Christie no final! Obrigado @netflix pelos mimos.
          Numa escala de 1 a 5 Glorinhas, a gente deu 3,5!