Mostrando postagens com marcador Sorriso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sorriso. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Cinco

          Cinco anos depois daria pra ter construído uma nova vida. Daria pra ter uma casa nova, dois gatos e um novo amor. Um novo sorriso. Cinco anos depois daria pra reabrir um bunker após um apocalipse. Talvez tenha sido isso que eu fiz. Os desenhos continuam lá. Pelas paredes, pelos cadernos de nota. Os poemas. A cortina azul se foi há muito. Se você tivesse ouvido alguma das centenas de ligações que te fiz ao longo desses anos, saberia. Saberia também que estou bem. Saberia que sobrevivi. Saberia do quanto viajei, do quanto, além de sobreviver, vivi. Me lembro do quanto nesse meio tempo cantei. Pra quem? Por mim.
          Imagino que aí do outro lado seja tudo muito diferente. Tudo muito colorido e alegre. Sei que vive bem aí também. Uma vez cê me disse que quem sabe talvez a gente se esbarre num outro depois. Eu imagino essa conversa que engraçada e curiosa seria. Eu já não tenho mais meu antigo filtro dos sonhos. Cê haveria de saber que meus sonhos mudaram. Talvez aí do outro lado existam outros. É bem bonita a imagem que faço de uma varanda sua com um filtro verde desses e uma rede de frente pra um cheiro bom de mato molhado num quintal pequeno e esquisito.
          Ainda hoje eu tava falando sobre como é estranha a nossa percepção de tempo pra algumas coisas. Sinto que há tão pouco tempo eu ainda descobria tanto da vida, mas sinto que a gente foi há tão mais que cinco. Uma vida por entre as vidas. Um breve registro do in-fluxo seria bom hoje. Cinco era realmente uma das metas do projeto. Talvez tivesse sido pior se tivesse existido.
          Começo com essas divagações e é quando percebo que já parei de fazer sentido outra vez. Mas alguma vez existiu sentido nessa coisa toda? Sei que muito além de Sete Textos, cê me preparou pra uma grande viagem intergaláctica. Por isso pude voar depois em nova companhia. Mas não te devo isso não, devo a mim mesmo. Por ter enfrentado e capotado tantas e tantas vezes. Alguém vive me dizendo que os fins justificam os meios. Mas isso só se dá depois dos fins, né. O que cê faz enquanto vive nos meios? E se esse meio nunca tem fim?

sábado, 29 de abril de 2017

Outono Passado

     Início do Outono e aquela nostalgia chega discreta tentando arrancar a casquinha do machucado que você deixou. Já era março quando você me drogou e viciou em café desesperadamente? As cenas desconexas na minha cabeça me confundem e fazem achar que levou mais tempo pra me tornar dependente, mas analisando friamente até que a data faz certo sentido.
     A tentativa falha de reviver o que já morreu há tempos fica aqui tentando me arrancar mais um escrito, como quem espreme até secar a última gota. Inútil, afinal. A nave, consertada há anos, descobriu outro sistema e mudou-se há tempos. Anos-luz. É quase como se o arrepio do frio trouxesse as melodias e as conversas todas de volta.
     Tem coisa que é boa de se viver, mas que termina no exato tempo de ter seu fim. Eventualmente lembrar-se disso não é ruim, é apenas lembrar. No passado ter seu lugar.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

¿Per • ten • ci?

     Tempo nublado e Flesh Without the Blood trazem de volta o sentimento de outrora. Quando a sensação de meio vazio, meio anestesiado pela falta de sentimento eram consequência da ausência de um sorriso e da presença de Tom's Diner me aquecendo com aquele café que era tudo o que restava. Se hoje nada é mais o mesmo e a vida mudou tanto, como pode isso estar de volta? Talvez fosse mais fácil quando existia um sorriso pra culpar pela insensibilidade.
     A nudez e a friagem anunciam a sensibilidade. Falso sentimento de pertencer. Halloween, California, Thriller, Broadway, Vegas. O que é pertencer?

per•ten•cer |ê| - Conjugar
verbo intransitivo
1. Tocar a alguém.
2. Ser propriedade de alguém ou ser devida a alguém (alguma coisa).
3. Formar ou fazer parte.
4. Ser parte integral de.
5. Ser da atribuição ou competência de.
6. Ter relação.
7. Dizer respeito; ser concemente.

     Se a suposta felicidade e completude de sentimento estão tão afloradas, não existe sentido na volta de uma culpa ou peso inexistente. Inexiste? Sentido. Não existe.
     Se me perguntar, não sei dizer, explicar. Mas sei sentir. Talvez esse seja o maior peso que alguém possa carregar. Sentir sem saber explicar. Isso vale tanto pras positividades quanto pras adversidades. Existe? O enlouquecer caminha lado a lado numa linha tênue com a sanidade. A diferença entre um e outro é um passo tão pequeno que é quase palpável.
     O café, hoje consumido exaustivamente, já não faz efeito. Para o inferno quem disse, afinal, que isso era uma coisa romântica. Te leva ao mais alto que o topo pode chegar e te lança com tudo na superfície de volta num piscar de olhos absurdamente repentino.
     Na beira da estrada, fico.

"alone I pray for calmer seas"

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Um café e a sua cortina azul

     Me pergunto se o que me motivava a escrever linhas e linhas sobre você era a sua presença aqui. Mesmo quando era falsa presença, presente era. Fato é que você partiu, mas o sentimento remanesceu, apenas parou de ser alimentado. O que não faz sentido algum, já que mesmo quando estava aqui, não estava. Já não corro mais o risco de te esbarrar. O caminho até o trabalho já não tem mais aquela graça, nem mesmo pegar o onibus na rua de trás.
     As cortinas azuis viraram beges, última identificação visual a ser apagada. Penúltima, talvez. O livreto com seus contos e ilustrações ficou na gaveta em JF City. Bahia parecia ser um destino muito longe e arriscado para ele. Pra que?
     Café e Tom's Diner embalam a ressaca de você enquanto escrevo mais um sobre o seu sorriso nessa tarde cinza. Sempre embalaram. Se parar pra pensar, a bolha estourou. Fomos eu, você, coisas no chão do seu quarto. Único, desfizemos. Música. Difícil será escutar os ritmos dos versos que fiz pra ti, por aí. Diferentes estações, diferentes melodias nos separam agora. A música em si não se parece muito com nada que tem atualmente por aí. Bastante dos seus 90's se fazem presentes. Congelou no tempo e me congelou junto. Isso sim faz mais sentido, visto que o tempo realmente não passava enquanto era presença real.
     Pelo seu próprio conto, respondido fui. ''Lembro da cortina azul''. Lembro da janela grande e da vista nua em frente. A vida toda acontecendo do lado de fora, do outro lado da rua. A vida toda aconteceu da janela pra dentro. ''Ele não vai gostar de você dormir aqui, ninguém nunca dormiu.'' ''O que você acha?'' ''Eu gosto.''.
     O café tá meio morno, meio esquisito, mas definitivamente não tá frio. Talvez essa seja a temperatura ideal de equilíbrio em que a história do seu sorriso cabe. Normalmente, pega fogo se esquentar e em alguns segundos tudo vira carvão. Fogo baixo, bebida morna. Que bom ter um armário cheio de café.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Sinto Amor

Quando eu olho pra você
Quero estar junto até o amanhecer
E sobre o seu peito adormecer
Beijar você, amar você

Contra o tempo eu vou correr
Ficar chapado a noite inteira de você
Isso é muito mais do que eu posso querer
Querer você, tocar você

Hoje eu quero te beijar
E te mostrar tudo o que vi
Hoje eu quero te falar
Que com você eu descobri
Sinto amor

O seu olhar me diz
O que você não diz

terça-feira, 17 de maio de 2016

Música de lembrar

     Há tanto eu não precisava ficar alto pra manter você longe da minha mente que já nem sei. Nem sei mais do amor, da dor. Das horas que você ficava falando. Por horas. Agora que seu sorriso se esvai, não sei mais parar de (re)pensar. Teríamos feito diferente. Se não era uma típica história de amor, Rita deveria era estar certa quando disse que nos tornávamos patéticos. Tudo deveria ser apenas a selva de epiléticos.
     "Por que essas lágrimas vem a noite?", ela insistia em perguntar. Eu insistia em não saber responder. Se por um tempo fui sortudo, hoje transição. Velha canção. Cenas do meu filme branco e preto que o vento levou e o tempo traz. Parte do meu coração, antes aquecido com a última das primeiras vezes, se quebra nessa partida. Eu nos vi no espelho, não fica vermelho. Eu fico o pó.
     Sabe, desfiz. Queria desfazer. Ser eu, ser nós. Fazer coisas no chão do seu quarto. Os pássaros e abelhas deram suas bençãos, saberíamos como assobiar a canção que ganhamos. Por detrás da máscara e do filtro dos sonhos, no fundo do mergulho nos olhos de gude e na ponta do sorriso. Limites, extremidades. Não é doce o amor?
     Queimei de verdade e você viu que sou real. Reprogramei planetas, derreti castelos de gelo, pintei muros, paredes. E você? Você só queria ver o Ilê passar. Ah, azar. A esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar. Cantei. Escrevi pra você, guardei a caderneta pra mim. No fim. Não faria sentido te entregar uma gama de sentimentos escritos, com início, meio e fim. Fim?
     Tem pessoas que a gente não se esquece, nem se esqueceu. Você e eu.


(Habits (Stay High) - Tove Lo; Love Story - Katharine McPhee; Amor e Sexo - Rita Lee; Lucky - Britney Spears; Minha Vida - Rita Lee; Belong - Hilary Duff; Um Só - Clarice Falcão; Undone - The Bird and The Bee; Love Ballad - Tove Lo; Tomorrowland Movie; Depois que o Ilê Passar - Ilê Aye; O Bêbado e a Equilibrista - Elis Regina)

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Pamponet

     Lanço meu foguete da torre para adentrar as camadas de Pamponet. Você diz prolongar o tempo de esgotamento do meu pin, mas eu não sei quanto tempo falta até o meu exílio. Quero um acordo que me abra os portões da frente ou me garanta uma passagem direta alternativa, pelo menos.
     As camadas desse planeta não são impenetráveis, mas o sistema de segurança para expulsar os invasores, sim. Outros invadirão. Quero ficar, redefinir o sinal do transmissor para que isso não aconteça. Sou especial porque não desisto?
     Reprogramar a segurança de um planeta todo é tarefa suicida sem um Frank, uma Athena ou ao menos um Jet Pack. Sou especial porque não desisto.



(2/7)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Bom rapaz

     Foi só resolver te citar novamente por aqui pra você resolver aparecer, ao acaso. O destino gosta de brincar com a gente, já reparou? Teste.
     Nem de longe senti os arrepios, calafrios, ao falar contigo. Perna bamba. Seu sorriso continua o mesmo, bem como o foco e a determinação em seus projetos. Admiro. O breve encontro foi bom pra mostrar que tem história, sim. Não aquela mais. Não será.
     Bocó, sorriso, delírio. Hoje, apenas bom rapaz. Existe uma razão para cada caminho cruzado. Reconheço muitas delas na nossa encruzilhada. Encruzilhada essa que levou a tantos outros rumos. Agradeço.
     Que bom te ver, bom rapaz.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Enquanto você esteve fora

     Enquanto você esteve fora eu mudei. Conheci gente nova, mudei os ares, ditei as regras. Mudei de casa, moro sozinho. Gravei um filme, cantei no palco. Ganhei dinheiros, cervejas. Enquanto você esteve fora conheci um novo alguém. Um alguém totalmente novo e diferente de você. Seguro. Troquei de celular, viajei.
     Olhando assim, parece que vivi uma vida. Vivi, a minha. Onde eu posso respirar calmamente de novo, seguro de que nada vai me arrancar num repente, me virar do avesso e me lançar com tudo de volta na superfície.
     Enquanto você esteve fora, morri. Vivi. Vivo, memória.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Texto curto

     Já não consigo te escrever textos longos. Talvez isso seja uma maneira inconsciente de aceitação. Meu coração entendeu que sua passagem foi one way ticket, e a ferida que ficou já não dói loucamente como se me queimasse a pele toda vez que pensasse em você. Ficaram umas manchas escuras, parte da cicatrização. As cores ao redor escureceram como uma grande casca ao redor da minha vida toda. Proteção.
     Consigo ouvir as músicas que me remetiam apenas à você, os Lee voltaram a ter espaço por aqui. Não terminei suas letras. Não pretendo. Já faz um tempo.
     O cheiro das suas roupas que ficavam em mim quando eu as vestia, hoje, mal sei distinguir do cheiro comum de outras coisas. O filtro dos sonhos pendurado na minha janela já não é mais o encaixe do seu, é algo que me traz bons sentimentos. Lembranças muito bem disfarçadas de trivialidades. Por aí, as pessoas costumam gostar dos rabiscos que fiz sobre ti. A associação com suas próprias vidas mal as deixa perceber que existe história ali. Existe o sorriso e o aro grande, existe a loucura e confusão. As cores da alma. Existiu.
     Branco e preto acinzentado. Marrom escuro.
     Já não consigo te escrever textos longos. Talvez isso seja uma maneira inconsciente de aceitação. Talvez não.

sábado, 29 de agosto de 2015

Palavras não ditas

     Palavras não ditas são margem. Margem pra uma porção de coisas, especialmente numa mente fértil como a minha.
     Sentimento é pra sentir, pra falar. Não é pra ficar guardado sem voz, não. A vida tá aí pra ser vivida. Pra ser falada, sentida. Pra dar a cara a tapa. Uma coisa que eu faço na minha vida é dar a cara a tapa. Seja em relacionamento, no trabalho ou qualquer outra oportunidade que eu julgue interessante. Se doer, passa. Se der, compensa.
     Calar por medo é cilada, não é solução. Às vezes nem é intencional, é algo já implícito nos seus próprios movimentos. Mas isso te prende à um looping eterno e te faz pular de galho em galho até o tempo antes de se envolver ser suficiente, e depois fugir pro próximo.
     As hipóteses são muitas, as respostas são poucas. Palavras não ditas te fazem divagar, te fazem questionar o mundo. Muitas coisas podem ser evitadas pelo simples ato de colocar para fora o que se sente. Muitos pensamentos. Penso demais, divago demais.
     Na imensidão desse mar de hipóteses, navego. Na canoa de palavras não ditas, me perco.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Sete textos

     Sete textos. Sete textos foi como te retratei. Foi o breve tempo que permaneceu na minha vida.
     Em sete textos me trouxe o calor do início. Acendeu as lareiras do meu castelo de gelo e aqueceu meu coração, me fazendo renovar o estoque de músicas antigas e dançar ao som da leveza de uma melodia simples. Encaixou seus óculos de aro grande nos meus olhos de gude e me distorceu. Te distorci.
     Tentativa falha na reprogramação de um novo planeta, percebi que é preciso mais que um trem-bala para evitar a perda.
     Sete textos marcaram sua passagem e, olhando-os assim, te vejo bem em cada etapa.
Pintei, derreti. Ganhei, perdi.
     Sete textos. Oito textos.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Sorriso e Olho de Gude

    Construiu uma imagem ao longo dos dias. Pessoalmente, desconstruiu.
    Naquele momento identifiquei sua bolha. A bolha que eu queria mais do que tudo estourar.
    Prestava atenção à cada palavra saída da minha boca, analisava cada frase e traçava um perfil. Tinha medo de ser "bunda". Não queria ser "pé". Talvez fosse. Não sou pé, bocó.
    Preocupou. Tirou sua camisa e me deu. Cuidou.
    Falamos sobre como o tempo é medida ilusória. Mudança de estado.
    Ouvimos Vander Lee, Rita Lee, Katharine McPhee. Forever Young.
    Apesar de não vistos, em algum lugar éramos Nick & Norah. Tenho certeza.
    Gosto do teu beijo, do cheiro da tua pele. Seus óculos de aro grande.
    Me agrada saber que mergulhar no meu olho de gude te faz produzir o maior dos sorrisos.


(1/7)