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quinta-feira, 3 de agosto de 2023

a semana que antecede o novo ciclo

          Gosto quando me chama, coloca a mão no meu rosto e me dá um beijo. Gosto quando me mostra que isso é algo que também quer, mesmo já tendo dito que sim. Realmente as ações tem efeitos diferentes das palavras. Tão intensas quanto. Gosto da intensidade do seu corpo no meu, da sua respiração no meu ouvido e também de quando só deita no meu colo. Esse combo todo é a pura definição prática da excitação que corre por mim quando te vejo.

          Se sente quando está comigo ou quando conversamos sobre determinados assuntos, gosto quando parte de você e principalmente quando se expressa e diz o que sente ou o que quer. É curiosa a sensação de conhecer de outras formas alguém que já se conhece. Curioso e divertido. Bom.

          Dentro das próximas cenas, muitos caminhos a serem percorridos e desenvolvidos. Principalmente agora que são dois relógios cronometrando ao contrário o tempo que temos pra botar em ordem tudo o que queremos e precisamos e também pra nos curtir. Gosto muito da sensação de ter um próximo objetivo, sempre fiz muitas coisas girarem ao meu redor em prol de atingí-los. Não que eu não os tivesse ultimamente, mas gosto mais dos que estabeleci para agora em diante.

          A semana que antecede o novo ciclo me virou em 180 e eu já admiti que gosto desse caos e dos processos intensos que a minha mente tem. Me curto demais viajando dentro de mim mesmo. Com isso, percorri dezenas de ruas específicas e cada lugar me jogava numa sala diferente. Tempo (nunca) suficiente pra relembrar e refletir sobre os caminhos trilhados e as escolhas recentes. Todo mundo entra na balança aqui, cada uma das decisões e opções. Além de intenso, também dói porque raramente me permito tocar em feridas que não necessariamente estão cicatrizadas, ou abrir a porta do armário onde certas coisas estão guardadas sendo ignoradas. Elas estão ali de todo jeito.

          Concluo o rascunho do meu próximo filme, movimento algumas coisas práticas, penso no seu beijo e tomo uma cerveja enquanto coloco as coisas no lugar dentro de casa, ao som da minha playlist de todos os eu que já fui. É... até que está bem bom, afinal.

segunda-feira, 24 de julho de 2023

I see two headlights

          Penso que se eu não tivesse você, eu finalmente faria aquilo que eu sempre projetei como escape na minha mente. Largar tudo, pegar uma mochila e desaparecer por aí em frente sem olhar pra trás. Eu to com tudo pronto e o que me segura dia após dia de comprar logo essa passagem e desativar meus meios de contato por um tempo indeterminado é a falta que eu vou sentir de você e a imensa vontade que eu tenho de estar sempre ao seu lado.

           Talvez eu seja mesmo tudo o que eu disse que você achava que eu era. E talvez você estivesse certo quando disse que ficarmos juntos me causaria o que estou sentindo agora. E mesmo assim eu não escolheria outra coisa, porque isso é bom demais. Percebo que, pra você, é muito mais sobre estar certo ou ganhar uma discussão do que perceber as nuances que ali existem. Ganhar por ganhar vale a pena? "Sim", você me responderia. Mas é mais complexo do que isso. E eu conto com que você também esteja começando a enxergar ou sentir coisas que eu já disse que existiam anteriormente também. Eu não to aqui competindo com ninguém, eu quero andar junto.

           Como é estranha a sensação de construção de uma nova relação. Estranhamente gostosa sensação. É tudo um grande incerto e ao mesmo tempo que num momento tudo anda de uma maneira, em seguida tudo muda completamente. Isso é bonito demais, mas também angustiante. É o gosto de se viver.

          Eu gostaria de ter ido ao parque com você, convite que eu já havia feito em um momento anterior. Por isso quando você me procurou tão empolgado pra isso, pensei que então realmente algo de certo estava fazendo ali. Quando retirou o convite, com argumentos de coisas que você já conhecia anteriormente, foi como um grande balde de água fria. Pode ser que faça parte desse período de descoberta, mas quanto tempo leva um período? Já disse, não por aqui mas aqui vai, que nós temos todo o potencial pra ser um puta casalzão e acho que a gente desperdiça demais isso e um tempo em que poderíamos transcender a partir daí. Eu acredito que esse tempo vá chegar, mas eu fico muito agoniado preso nesse meio enquanto você pensa em se dar conta. E eu estava pensando que, talvez, se as estrelas se alinhassem e eu pudesse chamar você de meu, talvez o momento fosse certo. Eu já nomeei essa no texto passado, mas é que o ''a gente'' é algo muito presente na minha mente.

          Constantemente meu telefone tem apitado com certos tipos de mensagem que, sinceramente, só estariam me interessando verdadeiramente se estivessem vindo de você. Do outro lado da minha porta tem um cara batendo querendo ocupar o lugar que eu deixei aqui só pra você. Se os paralelos de demonstração de interesse estão tão escancarados assim na minha frente, porque é que mesmo assim eu escolho continuar com a porta trancada? Você carrega a chave dela contigo.

          Eu sei que eu tenho coragem de simplesmente ir e buscar pra mim o que eu sempre quis e que tá lá em cima me esperando, mas eu entendo que eu não quero fazer isso te deixando pra trás.

segunda-feira, 17 de julho de 2023

.electric touch.

            Gosto da cara que faz enquanto morde a ponta da sua camisa na boca. Vou sentir falta do seu cheiro no travesseiro que me dá pra abraçar enquanto a gente assiste o terceiro ou quarto filme da noite. Do som da sua voz no meu ouvido dizendo que eu to cheiroso e que quer beijar a minha boca. O silencio e a troca de olhares que se instaura quando a minha partida entra em pauta me quebra. Meu estômago revira de uma maneira cruel e eu sinto como se estivesse sendo virado ao avesso. A sua ausência iminente me assombra mais do que qualquer outra coisa. Gosto quando me chama pra deitar do seu lado e do calor que seu o corpo faz no meu.

          Pedi tanto pra sair daquela inércia sentimental que eu vivia, que agora a porta foi arrombada e arrancada e eu simplesmente não paro de sentir mais nada. É como um carro amarelo desgovernado em alta velocidade pelas ruas, sendo perseguido por um outro monstruoso preto blindado com uma alienígena não tão simpática nessa versão no volante.

          Eu não sei se você vem me encontrar e nem quanto tempo isso pode levar. Mas eu preciso desesperadamente me agarrar a isso. Sei que depois do início as coisas vão se assentar e isso tudo vai ser mais brando, mas me falta ar em pensar nessa vida sem você do meu lado todos os dias. Pra frente é que se anda e é pra onde nossos objetivos vão. Me conforta a ideia de que eles vão na mesma direção e aí poderemos perseguí-los juntos e ainda aproveitar a neve, enquanto rimos como duas crianças bobas.

          Você é a melhor experiência de sentimento que já tive. Denomino experiência de sentimento porque envolve coisas mais complexas e diversas, combinadas numa mesma pessoa e numa mesma relação e eu acho isso sensacional. Sensacionais pra mim é o que somos. De uma maneira que ultrapassa e transcende o lógico de uma amizade ou relação mais simples e rasa na superfície. Existe um universo inteiro entre nós dois e ele é só nosso. Enquanto estamos juntos no trabalho ou numa festa ou mesmo numa roda de amigos. Existe uma história inteira dentro da sala e ela pertence apenas ao nosso universo particular e eu acho isso lindo e especial pra caralho.


segunda-feira, 10 de julho de 2023

tudo o que tá aqui dentro

          Me sinto confortável em não tentar mais nomear isso, apenas sentir. Pensando sobre tudo o que tenho feito ultimamente, entendi e me libertei da obrigação de ter que me esforçar tanto pra passar por cima de algo que eu, sinceramente, não queria passar. Entendendo que as coisas chegarão em seu devido lugar no momento em que tiverem que chegar, eu posso simplesmente estar no trajeto sem precisar tentar cortar caminho a todo custo. Pouco após fazer as pazes com isso, tudo vira de cabeça pra baixo.

            Com data marcada e prestes e pegar minhas coisas e meter o pé daqui, só queria viver nesses últimos dias tudo o que impedimos que acontecesse, por medo ou quaisquer outros motivos que fossem. Tudo parece tão irrelevante agora, diante da distância iminente e do - ainda mais - incerto. Minha partida ainda nem se deu, mas já estou partido por dentro. Dentre tantas coisas a serem resolvidas pra que tudo fique em seu devido lugar até o derradeiro dia em agosto, o que mais me atormenta é a imensa falta que vou sentir de você. Que já estou sentindo. E como posso já estar sentindo se você ainda está do meu lado? Vem cá, dorme comigo. Me deixa sua voz e seu cheiro.

          Como morador da terra que ninguém pisa, me sinto pisoteado pelas oportunidades a seguir. Principalmente por saber que serão incríveis e únicas. Sem tempo de anotar a placa do dirigível que me jogou pro alto e virou tudo em 180º, tudo o que eu queria era segurar a sua mão e te levar comigo. E aí não mais importaria o que viesse, porque a única coisa que eu precisaria estaria bem ao meu lado.

          Por mais potencial que esse sentimento tenha pra transformar tudo em ainda mais caos aqui dentro, na verdade me liberta. De várias questões que até então eu via como obrigações ou amarras e agora eu simplesmente não me importo mais e posso lidar com mais tranquilidade. Boa parte das coisas se torna obsoleta e eu respiro aliviado sabendo que posso lidar pleno com isso. 

          Confesso que, apesar de sempre buscar pela calmaria constante, gosto do caos que inevitavelmente me encontra, me confronta e me desnorteia. Gosto do processo até que tudo chegue em seu devido lugar. Se chega, enfim, quer dizer que perdurará. Já entendi que não sei ser de outra maneira e gosto muito de quem eu sou, de como conduzo as coisas na minha vida e sorrio quando percebo que alguém me entende dessa maneira e escolhe ficar. Eu realmente gostaria muito que você escolhesse ficar agora.

          Num turbilhão de ideias, faço alguns planos específicos, mas concordo que o maior deles é deixar as coisas seguirem seu próprio rumo, abraçar o que vier a partir das próximas escolhas, sem me fechar para algo limitador demais. Nesse momento me basta ter planos básicos de contenção, um emergencial pra caso tudo dê errado e a nossa polaroid colorida no bolso da minha carteira. Com isso, eu tenho energia e disposição e posso ir pra qualquer lugar do mundo.

terça-feira, 4 de julho de 2023

Exercício diário

           Percebo que estou absolutamente ferrado quando depois de conhecer e me envolver com um completo tudo-o-que-alguém-procura eu chego em casa depois de uma noite maravilhosa e só consigo pensar em você. Mais ferrado ainda quando isso me acontece duas vezes, com dois desse tipo que é raridade tipo 0, e ainda assim a única pessoa a morar na minha mente não é nenhum deles.

          Uma sábia senhora costumava sempre me dizer que coração é terra que ninguém pisa, mas por vezes eu queria segurar a emoção e usar mais a lógica. Poderia me inclinar a desenvolver algo com algum dos dois, já que não me restam dúvidas de que seria tudo aquilo. Mas não acho justo comigo mesmo e nem mesmo com eles. Não quero viver meia vida novamente. Tá certo que uma vez dentro do relacionamento, eu uso a lógica como ninguém, mas admito que sou bem torto até conseguir engatar o trem nos trilhos novamente.

          Ver e sentir como é estar com alguém que realmente quer desenvolver algo comigo ou apropriadamente me deseja me faz questionar o porque de vir aceitando me espremer pra caber num lugar que deveria ser natural, bom e simples. Entendo que é porque vejo ali potencial maior do que qualquer outro. Mas não adianta ver sozinho, nem mesmo me dispor tanto e só levar porta fechada. Depois de tanta porta fechada que foi aberta, já não foi suficiente pra deixar o medo de lado e passar a deixá-las pelo menos destrancadas pro incerto?

          As possibilidades e o novo incerto me excitam como nenhuma outra coisa. Disposição. Meu exercício diário é ver que esse caminho de possibilidades tem outros ângulos, além do que eu gostaria que fosse.

the greatest thing you will ever learn

          Eu to oficialmente puxando a alavanca e suspendendo a ponte de madeira. Passando correntes de proteção em volta para que ninguém ouse tentar baixá-la novamente sem a minha permissão. Sempre fui muito bom em jogar com o castelo trancado, porto fechado. A mudança de atitude pra emplacar a aventura passada realmente deixou marcas, mas já passou da hora de voltar a adotar a inacessibilidade de outrora.

          Já disse algumas vezes que não tenho mais o tal do game. Ao menos, não quando eu estou realmente interessado em alguém, porque quando é aquele tipo de situação meio que tanto faz, aí eu levo como ninguém. Mas no interesse real, que ultrapassa o raso das relações, eu não tenho métrica e tática de disputa de interesses e, provavelmente, o fato de não estar mais disposto a jogos de conquista ou desafio é exatamente o que me faz perder.

          Revivendo antigas estratégias, poderia na mesma intensidade abandonar uma situação dessas pra trás, nunca foi complicado pra mim. Alguma coisa nesses últimos anos realmente mudou em mim. Não sei se chamo isso exatamente de amadurecimento, afinal de contas me faz muito mais vulnerável aos sentimentos do que sempre costumei me dispor. Se conhecer, se permitir e se libertar de certas amarras vem com tudo junto no pacote, não dá pra retirar certas situações e querer montar o planejamento ideal. Não era eu que, quando era frio, inacessível e desapegado, suplicava pra sentir algo? Me metia em todo tipo de problema, colocando em risco até mesmo meu físico, pra conseguir desbloquear qualquer tipo de emoção? Então porque agora passo a cogitar que talvez fosse melhor ser como era?

          Eu não quero ser condenado ou rejeitado por demonstrar o que eu sinto. Muitas vezes pode não ser como manda o manual, mas eu tenho certeza que desse meu jeito torto, se prestar atenção, vê que existe total sentido e linearidade em meio a forma confusa como muitas vezes me expresso.

          Há muito tempo voltei a ser calmaria centrada. Me pego pensando que talvez o que tenha despertado o completo caos novamente tenha sido o que há muito eu não sentia - paixão, vontade de fazer acontecer, de viver. E aí que talvez a minha calmaria centrada tenha sido fruto dos tantos muros que tive que construir pra sobreviver a tamanho devastamento que sofri na última relação. Talvez tenha virado apenas calmaria contida, que ao toque desse sentimento, tenha se libertado das amarras. O perigo disso está em deixar destruição por onde passa. 

          Entender que absolutamente qualquer outra pessoa, mesmo que com o mínimo de interesse, será facilmente colocada nesse lugar em vez de alguém que se dedica tanto pra fazer daquilo algo especial acaba sendo demais pra minha cabeça. Percebo que meu erro é ser muito, ser demais. Talvez eu realmente seja além da conta. Mas num contexto aonde isso pode nos trazer tanto, eu consigo me perdoar por tentar.

          O som da voz que modera a intensidade não quer ser ouvido, o gosto do beijo que percorre por todo o trajeto não quer ser sentido. E se eu fico completamente largado no escuro, o que me resta?

domingo, 28 de maio de 2023

track number 17

          Hoje minha caixinha de música francesa ecoou tão alto que eu finalmente escutei. Em cada parte de mim senti o estrondo e pude finalmente chorar. Por tudo que tá contido, por tudo o que eu quero e o que eu não quero. Também por tudo o que já quis. 
          Caminhar por essas trilhas era exatamente o que eu fazia enquanto ela cantava sobre a explosão de luzes e o apagão do mundo com o toque das nossas peles sob a meia luz. Hoje, revisitando esse estrondo estando em um lugar diferente, faço um paralelo entre o ápice que ela representava e o que sinto hoje. Percebo que o que busco é essa liberdade e conforto de ser. Misturada a excitação da descoberta de algo novo, isso hoje tem nome e sobrenome. Mas tem também a barreira de segurança.
          Quando vou finalmente ligar esse botãozinho também?

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Meu cinema particular

           A lua desaparece e revela quem é star do meu cinema particular. Já há algum tempo em que é prioridade, mas essa escalada tão sutil percebe-se agora fundamental. Já não me vejo não te vendo, não te querendo, não te tocando. É uma vontade que não passa. Parece que tudo indica essa direção. Parece que eu gosto quando aparece no meu sonho bom. Mas me pergunto constantemente se essa maldição de já acordar com o seu nome martelando na minha mente é unilateral ou não. Temo que sim e isso me priva. De tanto. De tão mais.

          Depois de muito tentar, finalmente quebrei as correntes que me faziam refém detrás dos muros de outrem, mas estando agora nessa situação não vejo saída a não ser me fechar de tudo novamente ao redor dos meus muros. Eu realmente não quero lidar com as consequências da destruição que isso pode causar. Mesmo, de repente, podendo não causar. Tantas vezes em situações diversas já me vi nesse tipo de dilema entre arriscar ou não, mas dessa vez é diferente de qualquer outra.

          Daí penso em tudo o que poderia ser e em tudo o que já foi. E não queria pensar. Queria só sentir. Seguir na leveza do jeito que já é e desbravar acompanhado por todos os títulos que esse cinema particular me oferece, ou poderia oferecer. Mas saber se quer ou se consideraria atuar nesse papel me faz reformular a mesma pergunta por oitocentas vezes: quer estrelar esse filme comigo?

          Me libertou tanto que me prendeu e desse castelo não sei sair.

sexta-feira, 28 de abril de 2023

.tudo o que foi visto não pode ser desvisto.

          Ser adulto é segurar a barra de estar esmagado por dentro e ter que cumprir a maldita carga horária dentro do escritório, mesmo que esteja presente só de corpo. Pelo menos quando preciso resolver as coisas na rua, posso ouvir os conselhos da minha guia alien. Você disse: ''nunca tome o ácido se você não quer ser mudado como você me mudou''. Bom, na noite passada eu, de fato, vi tudo. E talvez por tudo que vi, esse tenha sido o motivo do meu colapso desde então. Tá tudo fora do lugar, principalmente eu. Estranho me perceber assim já que realmente há muito pouco finalmente me entendi e pude ocupar um espaço que até então não reconhecia mas que sempre quis, sem entender exatamente do que se tratava.
          Se resolvo uma questão complexa de tanto tempo para pouco depois deslocar outras lacunas, qual o sentido? Muitas vezes eu percebo que realmente não sei de nada. É chocante como a extraterrestre consegue ser sempre tão certeira. Gostaria muito de um dia atingir esse ponto de percepção e entendimento das coisas. Até lá, tudo o que posso fazer é seguir tentando, acertando pedra por pedra. Solucionando questões só para bagunçar outras em seguida.
          Eu sei que eu tenho esse meu jeito de nem sempre ser tão claro com as coisas ou de deixar as coisas meio subentendidas, meio como enigmas. Por mais que eu tente fazer diferente, volto pra isso porque, na verdade, eu não consigo definir 100% algo que eu sei que tá em constante mudança dentro de mim. E que as pistas e pedaços de mim se espalham por aí, pela minha trajetória nos lugares em que passei e estou. Já faz mais de três anos que por aqui mesmo digo que não sei o que fazer com os meus excessos e que sei que muitas vezes isso acaba por queimar quem está ao meu redor. Mas sei que de lá pra cá já caminhei e, não só evoluí, mas me percebi muito mais. Assim como minhas ações.
          Eu já entendi que quando consigo algo tão bom assim, eu tenho dificuldade de processar isso e de acreditar que eu realmente mereço aquilo, então inconscientemente começo a sabotar das várias maneiras que posso, até que eventualmente seja tarde demais. Espero mais uma vez não ter feito isso.
          O ácido eu não sei, mas a pedra vermelha eu carrego comigo como uma forma de me lembrar do meu lugar no mundo e de que posso, sim, conseguir. Tendo as provas e mostras recentes que tive, tento me segurar a isso quando o redemoinho dentro da minha cabeça me prende bem no meio. Enquanto os olhos ficam semicerrados e o vento corre absurdamente alto e barulhento, escuto as vozes e vejo as silhuetas. Algumas tentam me ajudar, mas as outras tentam me fechar lá dentro. 
          E se a única voz que me tira desse meio decide que não fala mais comigo?